"O mesmo jornalismo que andou meses a alimentar a ideia (?) segundo a qual Portugal era um candidato "obrigatório" a campeão do Mundo mudou a agulha quando se ouviu o derradeiro apito do árbitro do Espanha-Portugal. Como? Lançando a palavra "frustração" para a arena da nossa mediocridade televisiva (e radiofónica). De repente, exigem-nos que vivamos a normalidade desportiva — a cruel perda de qualidades da selecção portuguesa desde a época Scolari — como se fosse uma tragédia nacional. São mesmo capazes de promoverem a indignação contra os cidadãos mais serenos que, com tristeza, apenas podem reconhecer que, por vezes, o normal acontece." João Lopes in sound&vision
Portugal perdeu e perdeu bem. Perdeu contra Espanha que jogou - e joga - melhor do que nós. Perdeu porque não conseguiu impor o seu jogo. Finalmente, perdeu porque Queiroz falhou. Falhou tacticamente (Ronaldo sozinho? Ricardo Costa a titular? Deco sem jogar? Simão Sabrosa a titular? 9 homens atrás da linha da bola? futebol de contenção a outrance? etc.) e falhou nas opções técnicas de banco (quando ontem vi Hugo Almeida sair para entrar Danny pensei por momentos que tinha tido um ataque de febre alta, muito alta, mas infelizmente não).
Queiroz é medroso, sempre foi, não é um ganhador, não incute qualquer confiança, não arrisca, não vence nada nem nunca venceu. Portugal, ao contrário do que aconteceu com Scolari, não conseguiu nunca disfarçar deficiências estruturais com espírito ganhador. Foi, pois, normal o que aconteceu, tal como normal teria sido não termos ido sequer ao Mundial.
Resta o fim de Queiroz como seleccionador, o fim de Madaíl como presidente da FPF e o início de uma nova etapa que possa potenciar os bons jogadores que temos.
Viva a Argentina.
30.6.10
28.6.10
Deamblogações matinais
Este fds num programa na Radar, ouvi um dramaturgo a ser entrevistado e a dizer o seguinte relativamente à sua alegada falta de jeito para a música: "Infelizmente não nasci do útero da mãe do Lou Reed". Porventura sem razão objectiva, mas chocou-me tanto esta expressão - não, obviamente, por se tratar do Lou Reed, mas pelo facto de envolver o ventre materno dentro do qual se foi gerado - que, não apenas desliguei o rádio do carro, como fiquei enjoado. E enojado. Diz-se tudo, de facto.
25.6.10
23.6.10
Inquietações matinais
"É daqui, deste casarão suspenso sobre a praia, que eu hoje miro o horizonte, já no fim do dia quando o céu desaparece e as cores se esbatem, como se esbateram os dias felizes do encantamento, do namoro, do casamento, dos filhos, dos netos. Todos estes dias se misturam agora, na minha cabeça, com os dias da guerra, da fome, do medo, da vergonha, da tensão, da angústia - e juntos constituem esta vida que não sei se me mereceu e se a mereci, de tal modo as coisas boas e más se anulam e me deixam com o sentimento de que tudo teve um desígnio que se transformou, depois, numa inutilidade - nem o sofrimento me faz sentido, nem a ventura. Se eu tivesse sido apenas feliz, teria a felicidade como destino e viveria no melhor dos mundos; se tivesse sido apenas desgraçada, haveria de retirar lições e talvez me sentisse perseguida por uma força maléfica. Quando tudo se mistura e nada se distingue, a sensação de uma soma zero dá-nos a imagem da vacuidade, da ausência de propósito de uma vida, da minha vida, e mesmo da indiferença dos caminhos do bem e do mal, que nos escolhem a nós, ou que nós escolhemos. A menos que prolonguemos a nossa vida noutra..."
Toda uma Vida, Henrique Monteiro
Toda uma Vida, Henrique Monteiro
22.6.10
Deamblogações vespertinas
O velho estava encostado ao balcão, com ar plácido, no meio da gente que entrava e saía. Disse então para o patrão, o mesmo patrão que o conhece e com quem desabafa porventura há anos sem fim, "hoje começa o Inverno. A malta anda enganada. É hoje que começa o Inverno". Aquilo ficou a martelar-me na cabeça. O velho tem razão. Hoje começaram a minguar os dias, o que sucederá até ao ainda longínquo dia 21 de Dezembro. Falta tempo, mas tempo é o que não falta a passar. Passa sempre e veloz, não vá o presente acabar com ele. Como se não houvesse amanhã.
21.6.10
Deamblogações matinais II
No e-mail enviado para todos (?) os advogados, o Bastonário A. Marinho Pinto escreve o seguinte:
"A Ordem não pode continuar de portas abertas para acolher os milhares de (pseudo)licenciados em direito que todos os anos são lançados na sociedade por cerca de duas dezenas de escolas espalhadas por todo o país.
É preciso ter a coragem de acabar, de uma vez por todas, com o escandaloso negócio em que se transformou o estágio e que levou a que, em cerca de 20 anos, o número de Advogados passasse de 6 ou 7 mil para mais de 35 mil (embora alguns tenham a inscrição suspensa).
A manter-se este ritmo, em breve seremos 50.000 Advogados, num país onde bastariam dez ou quinze mil para responder adequadamente às necessidades sociais dos respectivos serviços.".
"A Ordem não pode continuar de portas abertas para acolher os milhares de (pseudo)licenciados em direito que todos os anos são lançados na sociedade por cerca de duas dezenas de escolas espalhadas por todo o país.
É preciso ter a coragem de acabar, de uma vez por todas, com o escandaloso negócio em que se transformou o estágio e que levou a que, em cerca de 20 anos, o número de Advogados passasse de 6 ou 7 mil para mais de 35 mil (embora alguns tenham a inscrição suspensa).
A manter-se este ritmo, em breve seremos 50.000 Advogados, num país onde bastariam dez ou quinze mil para responder adequadamente às necessidades sociais dos respectivos serviços.".
Deamblogações matinais
Nunca gostei de Saramago. Sempre o achei militantemente contra tudo e todos, amargo, até vil com aqueles contra quem era. Nunca gostei particularmente da escrita dele, embora, reconheça, nunca me tenha esforçado por gostar. Assim sendo, seguindo um princípio que tenho há muito como enraizado, não estou triste por Saramago ter morrido e, pessoalmente, acho que a vida pública ficou livre de um ressabiado com a vida e com Portugal. Espero que, onde quer que esteja, lhe falem em castelhano para todo o sempre.
18.6.10
Inquietações matinais
"A queda que dia a dia se acelera para uma catástrofe que não se consegue imaginar é para a maioria dos portugueses, talvez por isso mesmo, irreal: uma coisa que sucede num outro mundo e a outra gente. Não basta que os comentadores de serviço não parem de se queixar, de explicar, de protestar.".
Vasco Pulido Valente, Público
Vasco Pulido Valente, Público
17.6.10
Deamblogações matinais
2. Infelizmente - não o digo com qualquer satisfação - são os pontos com que aposto Portugal fique no final da fase de grupos do Mundial. Empate com a Costa do Marfim. Empate com a Coreia do Norte. Derrota com o Brasil.
Oxalá me engane.
Oxalá me engane.
16.6.10
10.6.10
Inquietações nocturnas
Existe alguma diferença entre adivinhar e planear? Entre antever e racionalizar? O que se quer, quando, onde e com quem da vida?
Qual é o peso do presente na moldura temporal de uma vida? Relativo, absoluto? Em que contexto é um e outro? Relativo porque nada ou pouca coisa é absoluta nunca? Absoluto porque há coisas que quebram indelevelmente o que existe e determinam a sequência? É assim?
Isto é como os livros de culinária, uns pózinhos de um e uns pózinhos de outro, para equilibrar o tempero, traçando, assim, o risco da vida?
São as sensações antagónicas de um projecto, condenando-o à partida ou atribuindo-lhe um carácter tão aleatório que deixará rapidamente de se equivaler a um projecto?
O que é o vínculo? Tem que ver com o passado, com isso projectando-se e condicionando o futuro, ou passa pela honestidade e coerência, com isso podendo pôr em cheque o que se fez até aí?
Qual é o peso do presente na moldura temporal de uma vida? Relativo, absoluto? Em que contexto é um e outro? Relativo porque nada ou pouca coisa é absoluta nunca? Absoluto porque há coisas que quebram indelevelmente o que existe e determinam a sequência? É assim?
Isto é como os livros de culinária, uns pózinhos de um e uns pózinhos de outro, para equilibrar o tempero, traçando, assim, o risco da vida?
São as sensações antagónicas de um projecto, condenando-o à partida ou atribuindo-lhe um carácter tão aleatório que deixará rapidamente de se equivaler a um projecto?
O que é o vínculo? Tem que ver com o passado, com isso projectando-se e condicionando o futuro, ou passa pela honestidade e coerência, com isso podendo pôr em cheque o que se fez até aí?
Deamblogações nocturnas
9.6.10
Deamblogações vespertinas
Calor, confusão, mescla de cheiros alguns bons outros maus, gente, muita gente, gente que não acaba mais, lixo, paisagens magníficas, desoladoras, gaivotas, fortalezas antigas, souks, medinas, riads de perder a cabeça, charme, simpatia, aldrabice, ciganagem, paz, entrada num universo totalmente distinto, trânsito caótico (é pouco chamar-lhe assim), poluição, barulho, buzinas, estradas que não existem embora existam no papel dos pseudo-mapas de estradas, exotismo, graça, irritação, cansaço, luxo, simplicidade, cumplicidade, amizade, solidão, companhia, saudades, pensamentos, diálogos. Assim era Marrocos por estes dias. Casablanca, El Jadida, Safi, Essaouira, Marrakech. Ficou muito por ver. Por ver com olhos de ver e cabeça de sentir. O deserto. Venha o deserto.
8.6.10
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