30.6.10

Deamblogações matinais

"O mesmo jornalismo que andou meses a alimentar a ideia (?) segundo a qual Portugal era um candidato "obrigatório" a campeão do Mundo mudou a agulha quando se ouviu o derradeiro apito do árbitro do Espanha-Portugal. Como? Lançando a palavra "frustração" para a arena da nossa mediocridade televisiva (e radiofónica). De repente, exigem-nos que vivamos a normalidade desportiva — a cruel perda de qualidades da selecção portuguesa desde a época Scolari — como se fosse uma tragédia nacional. São mesmo capazes de promoverem a indignação contra os cidadãos mais serenos que, com tristeza, apenas podem reconhecer que, por vezes, o normal acontece." João Lopes in sound&vision

Portugal perdeu e perdeu bem. Perdeu contra Espanha que jogou - e joga - melhor do que nós. Perdeu porque não conseguiu impor o seu jogo. Finalmente, perdeu porque Queiroz falhou. Falhou tacticamente (Ronaldo sozinho? Ricardo Costa a titular? Deco sem jogar? Simão Sabrosa a titular? 9 homens atrás da linha da bola? futebol de contenção a outrance? etc.) e falhou nas opções técnicas de banco (quando ontem vi Hugo Almeida sair para entrar Danny pensei por momentos que tinha tido um ataque de febre alta, muito alta, mas infelizmente não).
Queiroz é medroso, sempre foi, não é um ganhador, não incute qualquer confiança, não arrisca, não vence nada nem nunca venceu. Portugal, ao contrário do que aconteceu com Scolari, não conseguiu nunca disfarçar deficiências estruturais com espírito ganhador. Foi, pois, normal o que aconteceu, tal como normal teria sido não termos ido sequer ao Mundial.
Resta o fim de Queiroz como seleccionador, o fim de Madaíl como presidente da FPF e o início de uma nova etapa que possa potenciar os bons jogadores que temos.
Viva a Argentina.