28.5.10

Deamblogações matinais

É absolutamente fabuloso (re)descobrir um som com o qual se cresceu e se gastou horas e horas, tantas horas que o vinil chegava a gastar-se fazendo saltar a agulha. No caso, trata-se de Live Alchemy, dos Dire Straits, um concerto excepcional reeditado agora em DVD e em s CD's. Ouvir tudo outra vez não é bom, é mágico.

26.5.10

Night Time



The XX

25.5.10

Deamblogações matinais II

Chegou-me o seguinte texto ao e-mail, alegadamente escrito por um professor de filosofia do liceu. É tudo verdade.
"Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer
uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica
preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente,
pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. Ora esta coisa de um professor ficar
com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é:
como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no
elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a
camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa
com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico
será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua
ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação
deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de
Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre
Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser
explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos
que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da
TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O
presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que
ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente.
O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador
apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do
elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em
certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados
ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias
vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito
engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para
sermos enganados.
Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o
'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras
ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade.
Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso
Henriques, que Deus me perdoe.
A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que
ninguém leva a mal porque já estamos habituados.
Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas
razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu,
num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá
levar a mal.
Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não
fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu
sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei
que ela sabe que eu sei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim
seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro,
mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho.
Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de
três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que
aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e
culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos
malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza.
Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas
modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por
limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas
horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o
mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no
elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que
comece a vomitar sobre si próprio."

Deamblogações matinais

Espero - e digo-o sem qualquer pudor - que Portugal perca os jogos todos até ao Mundial da África do Sul e que perca os jogos do Mundial. Não há pachorra para a vaidade e o convencimento daqueles jogadores, treinador e restante equipa técnica. Pensam todos que são umas estrelas e que - embora os resultados desportivos o desmintam categoricamente - estão muito acima do comum dos mortais. Não estão. Há muito tempo que não estão, pelo menos desde 2004, quando chegou ao fim o Euro. Esse sentimento, triste, irrealista e sem vergonha, é alimentado por uma comunicação social interesseira e pouco crítica e pela FIFA que, por motivos que não consigo compreender, colocou Portugal no 3.º lugar do ranking mundial (!). Portugal não vale um chavo como equipa: é lenta, não marca, não tem rotinas, não tem ambição, não sabe sofrer e não é humilde. Tudo isso se vê dentro de campo e as exibições são miseráveis. Carlos Queiroz, esse pobre coitado que de tão vaidoso que é trocou o lugar que lhe estava destinado para sempre no Manchester United por outro para o qual não tem categoria (ignorando, assim, o clássico princípio de Peter), vem, uma vez mais, desvalorizar o 0-0 contra Cabo Verde, mostrando-se blasé e de uma arrogância intelectual sem fim, em vez de se mostrar irritado e preocupado.
Repito: espero que percamos os jogos todos para que a queda nos faça olharmo-nos com realismo e sensatez, que são coisas que vão faltando e muito por estes tempos.

19.5.10

New York I love you



LCD Soundsystem

18.5.10

Deamblogações matinais II

Um dia chegavas e eu esperava por ti. Um dia não chegavas e eu esperava por ti. Um dia foste embora e eu esperava por ti. Nada me fazia sonhar senão tu, tu e a força de acreditar em ti. Acreditar na ideia de nós, de uma vida cheia de coisas pequenas que fazem as grandes coisas que fazem a vida. Era isso que esperava ao esperar por ti. Até que foi.

Deamblogações matinais

"Volta, at your own peril, a sítios onde já foste feliz. Não ficarás indiferente - acho eu, mas tu é que sabes."

14.5.10

12.5.10

Deamblogações matinais

Em tom cínico, diga-se que a actual semana corre de feição ao Governo. Uma semana em que o Benfica é campeão e em que o Papa visita Portugal, é uma semana em que, como está a acontecer, o Governo (e especialmente o primeiro-ministro) pode dar o dito por não dito e abrir portas para o aumento de impostos. Não o aumento subreptício (mas real) que aconteceu com o fim de várias deduções fiscais, mas o aumento declarado e assumido, como seja o aumento evidente do IVA (resta apenas saber se em um ou dois pontos percentuais) e talvez de outros impostos sobre o consumo (tabaco, álcool, etc.). Tem passado quase despercebido que Bruxelas exigiu bastante mais ao Governo da república do que este havia apresentado aquando do PEC, bem como que as bolsas andam totalmente descontroladas ora subindo em flecha, ora descendo abruptamente, o que mostra bem o "nervosismo dos mercados" (seja isto o que for).
Sócrates bem pode agradecer aos deuses esta encomenda múltipla que tem distraído quase tudo e quase todos. Passos Coelho terá, no entanto, de explicar muito bem porque é que o PSD se disponibiliza para ajudar o Governo a aumentar os impostos, numa altura em que a taxa de esforço é muito grande para milhões de portugueses. Se fosse a ele, esperaria, no entanto, mais uma semana para deixar acalmar os ânimos e voltar lentamente à depressão.

10.5.10

Deamblogações matinais

É uma enorme chatice o slb ter ganho o campeonato...

7.5.10

Deamblogações vespertinas

Deamblogações matinais

4.5.10

Genial...

... este post de JPP: "[a visita do Papa] tem gerado em vários países, Portugal é um deles, um surto de imbecilidade considerável. À falta de anticlericalismo popular, há agora uma nova forma de anticlericalismo intelectual de parte da esquerda « fracturante ». Enquanto não houver um Papa que seja mulher, lésbica, negra, de preferência não crente, e que vote nos EUA no Obama, os Papas, em particular este, são alvos preferenciais. E este acirra os ânimos de forma muito especial porque é branco, alemão, conservador, teólogo, e conhece bem demais a impregnação da doutrina cristã pelas variantes na moda desde os anos sessenta de « progressismo » esquerdizante. A absurda intolerância dos « fracturantes » exerce-se então em toda a sua amplitude."