Espero - e digo-o sem qualquer pudor - que Portugal perca os jogos todos até ao Mundial da África do Sul e que perca os jogos do Mundial. Não há pachorra para a vaidade e o convencimento daqueles jogadores, treinador e restante equipa técnica. Pensam todos que são umas estrelas e que - embora os resultados desportivos o desmintam categoricamente - estão muito acima do comum dos mortais. Não estão. Há muito tempo que não estão, pelo menos desde 2004, quando chegou ao fim o Euro. Esse sentimento, triste, irrealista e sem vergonha, é alimentado por uma comunicação social interesseira e pouco crítica e pela FIFA que, por motivos que não consigo compreender, colocou Portugal no 3.º lugar do ranking mundial (!). Portugal não vale um chavo como equipa: é lenta, não marca, não tem rotinas, não tem ambição, não sabe sofrer e não é humilde. Tudo isso se vê dentro de campo e as exibições são miseráveis. Carlos Queiroz, esse pobre coitado que de tão vaidoso que é trocou o lugar que lhe estava destinado para sempre no Manchester United por outro para o qual não tem categoria (ignorando, assim, o clássico princípio de Peter), vem, uma vez mais, desvalorizar o 0-0 contra Cabo Verde, mostrando-se blasé e de uma arrogância intelectual sem fim, em vez de se mostrar irritado e preocupado.
Repito: espero que percamos os jogos todos para que a queda nos faça olharmo-nos com realismo e sensatez, que são coisas que vão faltando e muito por estes tempos.