Em tom cínico, diga-se que a actual semana corre de feição ao Governo. Uma semana em que o Benfica é campeão e em que o Papa visita Portugal, é uma semana em que, como está a acontecer, o Governo (e especialmente o primeiro-ministro) pode dar o dito por não dito e abrir portas para o aumento de impostos. Não o aumento subreptício (mas real) que aconteceu com o fim de várias deduções fiscais, mas o aumento declarado e assumido, como seja o aumento evidente do IVA (resta apenas saber se em um ou dois pontos percentuais) e talvez de outros impostos sobre o consumo (tabaco, álcool, etc.). Tem passado quase despercebido que Bruxelas exigiu bastante mais ao Governo da república do que este havia apresentado aquando do PEC, bem como que as bolsas andam totalmente descontroladas ora subindo em flecha, ora descendo abruptamente, o que mostra bem o "nervosismo dos mercados" (seja isto o que for).
Sócrates bem pode agradecer aos deuses esta encomenda múltipla que tem distraído quase tudo e quase todos. Passos Coelho terá, no entanto, de explicar muito bem porque é que o PSD se disponibiliza para ajudar o Governo a aumentar os impostos, numa altura em que a taxa de esforço é muito grande para milhões de portugueses. Se fosse a ele, esperaria, no entanto, mais uma semana para deixar acalmar os ânimos e voltar lentamente à depressão.