22.11.10

Inquietações matinais

"Não havendo autonomia na politica portuguesa, dependente nas suas decisões fundamentais do exterior, ou mais cruelmente dito, do estrangeiro, dos “mercados” e da Alemanha, e não querendo ou não podendo os principais actores políticos nacionais fazer alguma coisa para diminuir essa dependência, não vale a pena desperdiçar muito espaço com uma coisa que não há." JPP in Abrupto.

Portugal parece um daqueles doentes terminais. Eles sabem que vão morrer, a família sabe que eles vão morrer, os amigos sabem que eles vão morrer. A única coisa que se discute à boca pequena é o momento da morte e aí há certamente divergências. Uns consideram que o moribundo é mais resistente do que se julga, enquanto outros acham que o estado é já de pré-morte. Ainda assim, o moribundo não deixa de ser moribundo e disso todos têm consciência. No entanto, para o próprio, as pessoas fazer a melhor cara que conseguem e dizem que está com um pouco melhor aspecto, já não tão magro e debilitado, etc., etc.

Passa-se exactamente isto com a vinda do FMI para Portugal. Toda a gente - o Governo em primeiro lugar - sabe que ele vem aí e que não há volta a dar. Toda a gente sabe - o Governo em primeiro lugar - que Portugal não é viável sem a injecção maciça de dinheiro, muito dinheiro. Isto é tão inevitável quanto a morte do moribundo. No entanto, todos - o Governo em primeiro lugar - continuam a dizer que há condições para continuar com os PEC's que têm sido aprovados, que não é preciso estrangeiros cá dentro a mandar nas contas (como se já não mandassem) e a exigir soluções draconianas.
Ao moribundo - os portugueses - continua a ser dito - pelo Governo em primeiro lugar - que tudo se resolverá de certa maneira, quando é evidente que tal é impossível. É preciso algum respeito por quem sofre e está prestes a receber a extrema-unção.