28.1.10
Deamblogações matinais 2
Um dos problemas dos nossos dias é que como cada vez há menos educação e a que existe é rasteira, tão rasteira que modelou tudo por baixo, a norma é a grosseirice alarve e a total falta de noção para as coisas mais elementares. No cinema alguém fala ao telemóvel e, como se não bastasse, pela terceira vez, sem se coibir de mostrar o que está a fazer. Outro alguém lhe chama a atenção ao fim dessa terceira vez. O primeiro acha inacreditável e começa a discutir como se estivesse coberto de razão. Felizmente, naquela circunstância - feliz circunstância aquela cada vez mais rara - os presentes insurgem-se e mandam que o tipo se cale. Que por uma vez se cale e faça aquilo que supostamente se deve fazer no cinema. Não, não é comer nem beber, nem tão pouco enviar sms ou, muito menos, falar ao telefone, mas sim olhar para a tela e ver o filme que se escolheu. Tão simples quanto isso e, não obstante, incompreensível para uma cada vez maior maioria.
Deamblogações matinais
A consciência do corpo é madrasta. Pode viver-se corcunda a vida inteira, cada vez mais corcunda e acabar com aquela espécie de bossa na cervical, como os médicos antigos que a ganhavam de andar a vida toda a visitar doentes, inclinados sobre as suas camas. Também se pode viver (e vive-se!) com a coluna toda torta, sem que nos apercebamos disso. E com barrigas gigantes, cada vez mais proeminentes, verdadeiros depósitos de gordura. Pode. Tudo isto é possível e, aliás, o mais provável que nos aconteça, uns mais do que a outros. No entanto, ter consciência de que assim pode não ser e, sobretudo, de que nos sentimos incomensuravelmente melhor por assim não ser, para além de ser mais saudável, é fabuloso. Dá muito trabalho. Mas é fabuloso. Vale as horas de não descanso, a chuva e o frio que se apanha. Vale tudo isso e muito mais. Como dizia o outro: o melhor do desporto é depois do desporto. Não é bem assim, mas não deixa de ter um fundo de verdade.
25.1.10
Mr. Tambourine Man
Bob Dylan, 1971 Concert For Bangladesh
Though I know that evenin's empire has returned into sand,
Vanished from my hand,
Left me blindly here to stand but still not sleeping.
My weariness amazes me, I'm branded on my feet,
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming.
22.1.10
Deamblogações vespertinas
Entre escutas a gente do futebol (das maiores vergonhas a que tenho assistido), pancada entre gente do futebol (o que se esperava do Sá Pinto?), elogios da comunicação social ao livro ontem lançado por Pedro Passos Coelho e o terramoto no Haiti (para além das respectivas réplicas e de todos os outros terramotos que entretanto têm acontecido um pouco por todo o lado), os portugueses têm andado suficientemente entretidos para não quererem saber do orçamento, das contas públicas, do desemprego e das ameaças de baixa do rating internacional do país que, a confirmar-se, vai fazer com que o serviço da dívida aumente mais uma vez e a situação financeira piore um pouco mais, tornando isto tudo ainda mais insustentável.
Haja pão e circo. Sobretudo circo, porque a distracção sempre vai enganando a fome.
Haja pão e circo. Sobretudo circo, porque a distracção sempre vai enganando a fome.
20.1.10
18.1.10
Deamblogações matinais
Paredes meias convivem autocarros deitando um fumo espesso, filas intermináveis de carros a buzinar, pessoas apressadas e mal vestidas a andar em passeios muitas das vezes inexistentes de tantas obras e buracos, quintais com hortas onde se vêem couves rechonchudas e galos que tocam um acordar algo tardio. Assim é o Norte do país, muito distante em tudo do centro de Lisboa, cada vez mais um país à parte. O problema é pensarmos que vivemos como "os outros". Não vivemos. Por muitas dificuldades e chatices que tenhamos, vivemos muito melhor, com muito mais condições, muito mais dignidade. Dignidade, essa que eleva a auto-estima e nos dá força para lutarmos por uma vida melhor. Estranho acaso esse o do berço.
15.1.10
Deamblogações nocturnas
Por vezes, mesmo no meio do olho da tempestade, só há uma coisa a fazer: ir em frente. Pensar que à frente de um passo outro passo virá. É isso.
Inquietação matinal 2
Outra estranha inquietação, mas esta não ao acordar, antes criada depois de ver os jornais: quantos milhões para o Red Bull Air Race em Lisboa? Quantos milhões? Não percebi... Quantos? Milhões? Aviões sobre o Tejo? Para quê, com que fim, que contas foram feitas e qual é o impacto que isso vai ter nas contas da CML são tudo questões que não interessam nada. Nada. Obviamente.
Inquietação matinal
Acordei hoje acometido de uma estranha inquietação: se é proibido fumar em locais públicos, se os parque de estacionamento subterrâneos são locais públicos, se não é proibido fumar em locais privados e se os carros são locais privados, é ou não possível fumar dentro dos carros que se encontram estacionados em parques de estacionamento subterrâneos?
13.1.10
Deamblogações matinais
Por muito difícil que possa parecer, é fácil falar dos outros. Mesmo que esses outros estejam próximos de nós e nos digam muito, é fácil criticar. Talvez faça parte da natureza humana, não sei. Isso não qualifica as pessoas. Há muita gente muito boa que o faz e o difícil, muito difícil, é não fazer. O entendimento acerca dos outros é necessariamente limitado e é isso que torna fácil a crítica. De repente esvanece-se o benefício da dúvida em prol da crítica. Não se trata de saber se esta é justa ou injusta. Pode ser a coisa mais justa do mundo mas não é isso que a torna mais meritória. Trata-se, isso sim, de deixar alguma arrogância de lado e, por muito que se discorde do outro, admitir que possa exisitr uma centelha de razão que explique aquilo que se está a criticar. Talvez isto seja impossível e ao alcance apenas de outros que não simples homens e mulheres que somos. Talvez.
11.1.10
Deamblogações cinéfilas
The Road (A Estrada) é talvez dos poucos filmes em cartaz que vale a pena ver. A história de um pai e de um filho que perderam a mulher e mãe (respectivamente) na sequência de um cataclismo à escala planetária. O filme começa, e bem, com esse cataclismo, sem que, no entanto, nós saibamos do que se trata, porque não é isso que importa. Importam, sim, os efeitos desse acontecimento na relação entre aquele pai e aquele filho, que andam à procura do seu próprio futuro, literalmente. A fotografia é fantástica realçando a tristeza e desumanidade dos lugares que vão aparecendo.
Ao ver o filme pensava que, mesmo levado a extremos, por exemplo, em que "a morte é um luxo em que por vezes não se pode sequer pensar" (como a certa altura diz um dos personagens), existem actos que o ser humano - no caso, um pai - não é capaz de praticar. Matar um filho, mesmo que isso seja o que de melhor lhe pode acontecer, é tão contra natura que não pode ser feito por alguém na posse do menor do seu perfeito juízo.
Outra coisa em que pensava e que, de resto, está bem descrita no filme, é que os pais (progenitores) são incumbidos de uma missão, qual seja a de tentar levar os filhos a algum lado. Esse lado por não existir ou o caminho ficar incompleto, mas é como se esse desiderato fosse tão mais importante que tudo o resto e que não existem forças capazes de o contrariar.
A ver sem dúvida.
Ao ver o filme pensava que, mesmo levado a extremos, por exemplo, em que "a morte é um luxo em que por vezes não se pode sequer pensar" (como a certa altura diz um dos personagens), existem actos que o ser humano - no caso, um pai - não é capaz de praticar. Matar um filho, mesmo que isso seja o que de melhor lhe pode acontecer, é tão contra natura que não pode ser feito por alguém na posse do menor do seu perfeito juízo.
Outra coisa em que pensava e que, de resto, está bem descrita no filme, é que os pais (progenitores) são incumbidos de uma missão, qual seja a de tentar levar os filhos a algum lado. Esse lado por não existir ou o caminho ficar incompleto, mas é como se esse desiderato fosse tão mais importante que tudo o resto e que não existem forças capazes de o contrariar.
A ver sem dúvida.
Deamblogações vespertinas
«As principais vítimas de tudo isto serão aqueles que amam ou desejam alguém do mesmo sexo, homossexuais e lésbicas, mais os primeiros do que as segundas, que sitiados por uma sociedade que efectivamente os hostiliza e maltrata, serão vítimas de ver o seu amor ou o seu desejo ainda mais marginalizado pela exibição mais ou menos folclórica e "fracturante" de meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique, que em conjunto com alguns políticos, deram origem a uma pseudocausa, de um pseudodireito, o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista frágil nas suas convicções e sem uma ideia consistente para o país, que cada vez menos conhece, abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou. E não o fez só agora, já com a legislação sobre o divórcio se andam a meter nas andanças da engenharia social "fracturante", gerando uma sociedade mais fragilizada e menos justa para os fracos, como as mulheres divorciadas por carta e os homossexuais que não pertencem ao beautiful people.», JPP sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo no Abrupto
Já fui completamente a favor e agora, passada a discussão, sou céptico e entendo melhor o argumentário dos que são contra.
Já fui completamente a favor e agora, passada a discussão, sou céptico e entendo melhor o argumentário dos que são contra.
6.1.10
Deamblogações vespertinas
Chuva, frio (polar, ao que dizem) e vento é uma combinação terrífica. Tal qual como sol, calor desértico e falta de vento. No equilíbrio está a virtude. Venha ele.
4.1.10
Deamblogações matinais
Ruas enfeitadas. Lojas cheias. Milhares e milhares de pessoas nas ruas. Movimento, muito movimento. Trânsito. Buzinas. Azáfama. Frio que nunca mais acaba. Conforto. Nível de vida muito acima do nosso. Presépios. Presépios por toda a parte: nas montras das lojas, nas ruas. Igrejas cheias com gente aos magotes a sair no fim da missa. A preparação para os Reis que estão à porta.
Assim era Madrid durante estes dias.
Assim era Madrid durante estes dias.
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