11.1.10

Deamblogações cinéfilas

The Road (A Estrada) é talvez dos poucos filmes em cartaz que vale a pena ver. A história de um pai e de um filho que perderam a mulher e mãe (respectivamente) na sequência de um cataclismo à escala planetária. O filme começa, e bem, com esse cataclismo, sem que, no entanto, nós saibamos do que se trata, porque não é isso que importa. Importam, sim, os efeitos desse acontecimento na relação entre aquele pai e aquele filho, que andam à procura do seu próprio futuro, literalmente. A fotografia é fantástica realçando a tristeza e desumanidade dos lugares que vão aparecendo.
Ao ver o filme pensava que, mesmo levado a extremos, por exemplo, em que "a morte é um luxo em que por vezes não se pode sequer pensar" (como a certa altura diz um dos personagens), existem actos que o ser humano - no caso, um pai - não é capaz de praticar. Matar um filho, mesmo que isso seja o que de melhor lhe pode acontecer, é tão contra natura que não pode ser feito por alguém na posse do menor do seu perfeito juízo.
Outra coisa em que pensava e que, de resto, está bem descrita no filme, é que os pais (progenitores) são incumbidos de uma missão, qual seja a de tentar levar os filhos a algum lado. Esse lado por não existir ou o caminho ficar incompleto, mas é como se esse desiderato fosse tão mais importante que tudo o resto e que não existem forças capazes de o contrariar.
A ver sem dúvida.