28.1.10
Deamblogações matinais
A consciência do corpo é madrasta. Pode viver-se corcunda a vida inteira, cada vez mais corcunda e acabar com aquela espécie de bossa na cervical, como os médicos antigos que a ganhavam de andar a vida toda a visitar doentes, inclinados sobre as suas camas. Também se pode viver (e vive-se!) com a coluna toda torta, sem que nos apercebamos disso. E com barrigas gigantes, cada vez mais proeminentes, verdadeiros depósitos de gordura. Pode. Tudo isto é possível e, aliás, o mais provável que nos aconteça, uns mais do que a outros. No entanto, ter consciência de que assim pode não ser e, sobretudo, de que nos sentimos incomensuravelmente melhor por assim não ser, para além de ser mais saudável, é fabuloso. Dá muito trabalho. Mas é fabuloso. Vale as horas de não descanso, a chuva e o frio que se apanha. Vale tudo isso e muito mais. Como dizia o outro: o melhor do desporto é depois do desporto. Não é bem assim, mas não deixa de ter um fundo de verdade.