2.1.08

Para memória futura


O inspector-geral da ASAE, Dr. António Nunes (como pomposamente lhe chama o site oficial), foi apanhado com a boca no trombone, entenda-se, a fumar uma cigarrilha na noite da passagem do ano, já depois da meia noite, em pleno Casino Estoril.
Para além de esta ser uma notícia produto da informação com que temos que conviver presentemente (eu, verdadeiramente, estou-me nas tintas para o facto de o Dr. António Nunes fumar ou não), existem dois aspectos que merecem reflexão: primeiro, é evidente que o responsável máximo pelo organismo que tutela a defesa da lei anti-tabaco tem um dever acrescido de atenção no cumprimento dessa mesma lei. Dito de outro modo, deveria revelar uma prudência particular aquando em público para não ser apanhado sem tapete.
No entanto, há um aspecto muito mais importante, que se prende com o facto de o Dr. António Nunes ter, alegadamente, dito em sua defesa que não estava a incumprir a lei, uma vez que se encontrava num casino, tendo este tipo de espaços um tratamento diferenciado face aos restantes. Até aqui tudo bem.
Sucede, porém, que se este é o entendimento do inspector-geral da ASAE, já parece não ser o da Direcção-Geral de Saúde, para a qual os casinos e afins merecem o tratamento que os restantes locais públicos, ou seja, o da proibição de fumar.
Ora, esta pequena dissensão terá certamente consequências acrescidas na aplicação da lei. Ou muito me engano ou a nova lei anti-tabaco terá uma aplicação à portuguesa: será cumprida por quem conscientemente pretenda segui-la e não o será - com a complacência de todos - para quem quiser prevaricar.
Resta apenas dizer que está neste último caso a maior parte dos portugueses, a malta que, como o Dr. António Nunes, defenderá excepções e mais excepções que justifiquem um tratamento favorável, na razão directa dos seus próprios interesses. O futuro o dirá.