
Ontem ou anteontem, num discurso em Moskovo, um dos generais russos disse que não hesitaria em recorrer ao armamento nuclear caso o país sentisse a sua soberania ameaçada.
Para além de saber o que é isso de "sentir a soberania ameaçada" - um conceito geral e indeterminado que justifica tudo -, o que interessa focar é a escalada que a Rússia tem vindo a fazer ao longo dos últimos três anos no sentido de voltar a ser encarada como uma superpotência, a par dos EUA.
Só isso (embora não justifique) permite compreender umas declarações de tamanha irresponsabilidade como as do general russo. Numa altura em que o sentimento de insegurança é crescente (desde o terrorismo global à incerteza dos preços do crude), é normal que os diversos Estados tomem atitudes de poderio interno "para inglês ver". No entanto, de um país como a Rússia, exige-se maior responsabilidade. O nuclear é um velho assunto, tão velho como a Guerra Fria. Começarem ameaças com base no nuclear é um enorme recuo.
Estranho mundo este em que parece que as mentalidades sentem, para o bem e para o mal, uma nostalgia crescente dos velhos (velhos?) anos 80.
(continua)