Ontem o Prós e Contras era, inevitavelmente, sobre o novo aeroporto. Para minha surpresa, o ministro das Obras Públicas venceu em toda a linha. Não vi tudo, mas o que vi pareceu-me suficiente no sentido de concluir duas coisas: primeiro, nestas andanças todos têm telhados de vidro (no caso, a mudança de posição do líder do PSD relativamente à localização do futuro aeroporto); segundo, o PSD está nas ruas da amargura. A constatação deste facto - que não é novo - não tem que ver com Zita Seabra, que foi a eleita para ir ao programa de ontem, mas sim com o conteúdo das suas intervenções, absolutamente vazias de sentido, num estilo "politiquês" que já não se aguenta nem ninguém percebe, com o objectivo único de querer enterrar o PS e o ministro que estava à sua frente. Ora, sucede que tal não era possível porque... o próprio PSD não se distanciou uma só vez do PS nesta matéria (como, de resto, em outras), tendo seguido o mesmo caminho e cometido os mesmos erros (como é que se tem o descaramento de acusar o ministro de só agora ter encomendado um estudo ao LNEC, como se anos antes alguma coisa de diferente tivesse sido feito?).
Foi por tudo isto que o ministro ganhou. E digo o ministro e não o Governo. O ministro, que começou algo titubeante, logo percebeu que pisava terrenos conhecidos, num ambiente favorável, que o seu ar de bonomia ajuda a promover. De repente, esqueceram-se os "jamais!", os "desertos da margem sul" e outros mimos do género. De repente, era como se o ministro não tivesse defendido a OTA como se o futuro do país dependesse exclusivamente dessa opção, tendo, num passe de mágica, passado de besta a bestial, porque - pasme-se! - até foi ele que encomendou um estudo num local alternativo que, com excepção de umas pessoas que dele se lembraram, ainda não tinha sido identificado por ninguém.
E que tinha Zita Seabra e o PSD a dizer disto? Nada ou quase nada.
É, no mínimo, confrangedor.