O que se passou nestes últimos dias no MP do Porto é inconcebível. Ter magistrados do MP a dizerem que não auxiliarão os seus colegas (no caso, de Lisboa, mas sejam eles de onde forem) apenas porque discordam das nomeações feitas pelo PGR, é, a todos os títulos, lamentável e inaceitável. Dito de outra forma, o que os senhores procuradores do MP do Porto estão a dizer é que discordam da nomeação e que por esse motivo se dão ao direito de não colaborar numa fase processual determinante de um dos casos que mais preocupa o país actualmente. Isto não tem nome a não ser irresponsabilidade. Pura e dura. Até o circunspecto presidente do SMMP, António Cluny, veio a terreiro dizer que os seus colegas deveriam deixar de lado interesses de classe e colocar os interesses da investigação acima de tudo.
Perante isto, e a confirmar-se a recusa, só há uma reacção possível: processos disciplinares para todos os que forem coniventes com a situação, sejam actores principais ou secundários. Caso assim não seja, o PGR revela fraqueza e incompetência, sendo criticável tal qual os seus subordinados que se recusam a cumprir a função para que foram em tempo nomeados.