Numa entrevista na Pública, o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, quando perguntado se concordava com o porta-voz da Conferência Episcopal ao alertar para o perigo da superficialidade e imediatismo como novas formas de totalitarismo, teve esta resposta:
«Absolutamente. A única maneira de reagir ao pensamento único, mesmo que não seja ostensivo mas insinuante e quase imperceptível, é não abdicar de ser pessoa como instância de consciência, reflexão e decisão. Isso hoje é muito difícil. Ter tempo, criarmos tempo, para meter a cabeça fora de água e fora da corrente é muito difícil. Com essa corrente permanente de deslocações, com o tempo e o espaço sempre muito ocupados por solicitações exteriores, essa instância de recolhimento e de liberdade é pouco cultivada. E é por isso que as pessoas se sentem extremamente desamparadas quando não têm essas solicitações exteriores e facilmente se entregam a qualquer onda que os leve. Isso abre o perigo do totalitarismo, porque há sempre quem saiba para onde quer levar os outros.».
Isto não é religião. É racionalidade e espírito crítico e clarividente. Para meditar.