17.11.07

A triste sina de ser um museu português


Fui ao museu nacional de história natural para ver, sobretudo, a exposição sobre os dinossauros. Quem tem crianças pequenas, sabe a influência que estes répteis têm na vida do dia-a-dia...
E assim foi.
O museu, em termos arquitectónicos, não podia ser mais adequado: a arquitectura exterior, a escadaria de acesso, o enorme hall de entrada, o tipo de portas existente, um pêndulo de Foucault do lado esquerdo de quem entra, enfim, tudo remete para um ideal misto, entre a palentologia do prof. Jones e o dos livros de ciências naturais que líamos e relíamos na escola. À entrada, um funcionário que entre o bem disposto e o tom semi-profissional, queria vender uma entrada para a exposição de borboletas que o museu apresenta durante uns meses. Como não nos interessamos por borboletas e me irrito com promoções, acabei por comprar o ingresso normal. Começada a visita, cedo percebi que o quarto dos meus filhos tem mais interesse do ponto de vista paleontológico do que aquilo que vi. A falta de interesse dos objectos expostos, a falta de explicação para os mesmos (as poucas vezes que existe é só em português), a incongruência sequencial das salas (sem uma lógica aparente), a inexistência de público, a inexistência de técnicos, a falta de cuidado na preservação das salas (muitas delas em rebouco, talvez objecto de obras em curso), enfim, a tristeza que me deu ao ver aquilo nem sequer contrastava com a alegria dos meus filhos. Também essa era inexistente. Também eles cedo perceberam que nem o gigante T-Rex (verdadeiro ou falso?...) que lá está exposto - e que resume (!!) a exposição dos dinossauros - conseguia fazer daquela visita um sucesso.
Para quem tem a sorte de viajar ou de já ter viajado e, nessas ocasiões, ter visitado museus análogos noutras paragens, percebe bem o aperto que dá ver uma coisa assim. Confesso que não sou um frequentador assíduo do dito museu. Admito - espero - que o que vi se deve a uma remodelação qualquer e que daqui por uns meses o sítio esteja cheio de gente frenética a entrar e a sair, com filas à porta de gente cheia de curiosidade para ir ver a exposição A ou B. Infelizmente não me parece. Penso que seria melhor fechar o sítio e tentar integrar os (poucos) objectos que lá se encontram noutro lado e noutra exposição. Todos ficavam a ganhar, sobretudo a imagem de Portugal, porque, para um estrangeiro que ali vá, a imagem com que fica é a de um país que não só não tem muita coisa naquele domínio (mas isso não deve envergonhar ninguém), como do que tem não sabe cuidar.

p.s. o site ainda anuncia exposições de 2004 e 2005...