
Eu não duvido da importância dos sindicatos e do movimento sindical. Acho importante, sobretudo como forma de evitar abusos por parte das empresas, as quais as mais das vezes arriscam demasiado (contra os trabalhadores) se não tiverem um movimento de vigilância que os obrigue a pensar duas vezes.
Mas se isto é assim, já discordo profundamente do método utilizado. Para além de um discurso pejado de anacronismos (eterna luta contra o "patronato", "capitalismo" e quejandos), a luta sindical alia, como só ela sabe, o útil ao agradável. E isso joga contra. Por exemplo, relativamente às greves, alguém me sabe dar uma explicação plausível para serem todas marcadas às 6.ªas feiras ou em véspera de feriado? Será nesses dias que os trabalhadores se sentem mais motivados para a "luta"? Será nesses dias que o "patronato" está mais vulnerável? Será, enfim, nesses dias que o Governo dá mais atenção aos motivos por que é convocada a greve?
Claro que não. Claro que o único motivo é o facto de poderem colar a jornada (para muitos a mini-jornada ou a meia jornada) de luta ao fim de semana ou ao feriado.
Se é verdade que no passado as pessoas não davam reparo a este tipo de insignificâncias, hoje começa a notar-se que já assim não é. Recentemente o caso francês demonstra-o bem. Por cá, com o habitual atavismo da opinião pública, vai-se convivendo com este tipo de manobra chica-esperta. Resta saber por quanto mais tempo.