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19.11.19
Deamblogações nocturnas
Ontem, o que eu vi e ouvi só pode descrever-se de uma forma: SUBLIME.
Arrepiei-me, comovi-me, reflecti, viajei, meditei e estive, só, sem mais, naquela sala mágica onde aconteceu o que jamais esquecerei.
Como disse o meu amigo Miguel, são coisas destas que dão sentido à Vida.
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Tigran Hamasyan
20.2.19
7.2.19
Yo la tengo
Que grande concerto que deram ontem no Capitólio. Na verdade foram dois concertos, um intimista, calmo, sereno, quase em sussurro e, após uns quinze minutos de intervalo, outro electrizante, cheio de distorção e ritmo, como se estivéssemos a ver uma banda diferente da da primeira parte. O que é intrinsecamente bom resiste ao teste do tempo e não há idade que se lhe cole à pele.
21.6.18
Escritos
Acho que já aqui contei que, há bastantes anos atrás, andei muito tempo até conseguir que a música deles me entrasse. Como se alguma coisa não encaixasse e as noções de ritmo e acordes que eu tinha não concordassem com o que era proposto. Até ao dia. E a partir desse dia, foi como se tudo tivesse encontrado o seu lugar. Os neurónios andaram às cabeçadas mas lá acabaram por criar novas sinapses que acolheram o jorro de criatividade que vinha dali.
Passados uns anos, tive uma decepção ao vê-los no Alive, num concerto frio e esquemático, sem grande fulgor. Depois veio o adeus no Madison Square Garden, em mais de 3 horas de música e convidados, com um final apoteótico, cheio de lágrimas por uma despedida fora de tempo e contra-natura. Afinal, porquê? e para quê?, eram as perguntas que se impunham. Só por falta de oportunidade (os bilhetes esgotaram em menos de 15 minutos) não fiz uma total loucura para estar nesse concerto e fiquei triste por nunca ter tido a oportunidade de os ver ao vivo como deve ser, a sentir tudo aquilo que sinto quando os oiço em disco. Mas depois renasceram - como não podia deixar de ser - e o que era o ponto final não foi senão um ponto e vírgula, nem sequer muito longo. Como quase todos, fiquei nessa altura com um sentimento misto entre o contentamento e a desilusão pelo facto de James Murphy ter dado uma golpada mediática (terá sido isso?). Mas rapidamente me passou. Que se lixasse a golpada mediática! O que isso significava era a possibilidade de conseguir concretizar aquela minha intenção. Como não fui a Paredes de Coura em 2016, a coisa ficou adiada. Até ontem.
Até ontem...
E ontem valeu todas as vezes que não pude ver, não pude ir, não pude comparecer à festa. Porque é de uma festa que se trata, de uma reunião de amigos, com dança, abraços, beijos, saudades, nostalgia e alegria. Muita alegria. Concretizei esse meu desejo de reunir ao vivo toda a energia que ando há anos a acumular cada vez que oiço LCD, libertando-a toda, até à última gota de suor. E foi mesmo muito suor que daqui saiu. E que bom que foi.
Vale a pena ler a crítica do Vítor Belanciano à primeira noite de concerto - AQUI - que acaba assim, no que é uma síntese quase perfeita do que se passou:
" Quase duas horas depois do início, All my friends é a síntese de tudo, é colar os cacos do que se ouviu e sentiu antes. É sorrir, lacrimejar ou saltar para esse lugar onde cada um poderá sentir-se confortável com essa sensação de que não se está só. É perceber que os grandes momentos, o que se leva daqui, são coisas minúsculas como um enorme concerto entre amigos."
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Vítor Belanciano
22.11.16
20.8.16
Who else?
O tamanho da imagem é inversamente proporcional ao da banda que ela esconde no jogo de luzes deste concerto, no Primavera Sound de Barcelona, em Julho deste ano. Eles são de facto de uma grandeza rara nos dias que correm e não têm paralelo desde há pelo menos 15 anos.
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8.7.16
7.1.16
11.12.15
1.12.15
Escritos
Há coisas que se fazem ou que não se fazem e que nos custam um amargo de boca. Gostando de música desde que me lembro, vi ao longo dos anos muitos concertos, bastantes muito bons, muitos bons, alguns maus e, talvez, uma maioria razoavelmente indiferente, daqueles que foram bons mas que se esquecem ao fim de um tempo sem ficarem a ecoar cá dentro.
Um bom concerto, um mau concerto ou um concerto indiferente não o é, necessariamente, por motivos exclusivamente musicais em sentido lato (englobando aqui as questões do som, do cenário, das luzes, do espaço). Eu, e julgo francamente que todos os que assistem a um concerto, sou influenciado por tudo isso e, mais ainda, pela minha disposição nesse momento, pela expectativa quanto ao artista, por pré-concepções que dele tenha ou não, num misto difícil de detalhar para este efeito.
Assim de repente, vêm-me à memória concertos tão díspares como Xutos no pavilhão dos Belenenses, Rádio Macau no Rock Rendez Vous, The Cure no Royal Albert Hall, GNR no Coliseu (92), Joe Zawinul no Rose Theatre, Peter Evans na Gulbenkian, Gisela João no Lux ou Beach House no (infelicíssimo) Armazém F (então ainda sala TMN). Isto é uma amostra pobre, demasiado pobre, mas, como disse, foi o que me veio de rajada ao espírito. Ora, nesta amálgama dificilmente harmoniosa, não é certamente o género de música que me marcou (há disparidades óbvias, mesmo dentro do mesmo género musical), mas sim outras coisas, de entre aquelas que acima refiro.
Tudo isto para chegar onde? Para chegar onde comecei: há coisas que se fazem ou que não se fazem e que nos custam um amargo de boca.
Pois a mim aconteceu-me um (grande? enorme? incomensurável?) amargo de boca nesta sexta-feira com Benjamim Clementine no Coliseu. Porque eu estava lá e saí. Pura e simplesmente, saí. Sem que me tivessem perguntado se queria sair ou obrigado a sair, sem que tivesse de sair. Saí porque saí. Porque - escondo a cara com alguma vergonha - não estava para aí virado, não estava no mood.
Pois é...
Há concertos que custam porque se perdem e não se recuperam, mesmo que vejamos os artistas depois. Ver Portishead no Sudoeste em 98 não é o mesmo que ter visto Portishead no Coliseu anos depois, e não será provavelmente o mesmo que ver Portishead noutro sítio e noutra data qualquer. E não é por ter sido melhor ou pior. Se calhar musicalmente não foi melhor, nem isso interessa, mas foi demasiado especial para ser repetível. Porquê? Por uma data de coisas que só quem lá esteve sabe e pode transmitir.
Na sexta-feira perdi Benjamim Clementine porque simplesmente não me apeteceu ficar. E nem tenho a meu favor o facto de não o conhecer. Nem isso...
Fica-me o amargo de boca. Sei que o verei numa próxima oportunidade, mas também sei (de ciência certa) que o que se passou no Coliseu há poucos dias é irrepetível, por muito bom que seja o que eu puder ver um dia.
Há coisas que se fazem ou que não se fazem e que nos custam um amargo de boca. Na sexta-feira houve magia, segundo ouvi e li, mas eu não fiquei porque não quis.
É agora hora de conviver com isso.
7.2.15
Deamblogações nocturnas II
Há oito dias por esta hora, estava a beber umas e outras antes de ir ao Coliseu ver a Gisela João.
A primeira vez que a vi foi em 2012 no Lux, numa noite curated by Nicolas Jaar. E foi assim.
Depois, voltei a vê-la em Sines, no último FMM e voltou a ser fantástico, ali diferente porque o sítio era diferente, as pessoas diferentes e com outras expectativas. Então cantou fado a sério, acompanhada à guitarra e ao vento, que ia fazendo com que perdesse o vestido. E encantou, encantou-me e emocionei-me a sério a pensar em alguém que eu queria que ali estivesse e não estava, por decisão própria, num rumo de vida que respeito mas com o qual discordo.
Finalmente, voltei a vê-la há uma semana, no Coliseu, depois de umas e outras, já com a alma aquecida e rodada. E voltei a emocionar-me com aquela presença, mas sobretudo com aquela voz quente e grave. Depois, também, com a aparência pueril, de menina encantada que se vê defronte de um monstro que sabe bem adestrar. E quase só lhe vi virtudes, sendo, talvez, o único defeito julgar-se, ainda, demasiado menina para ali estar. Não é, não. Não é nenhuma menina. É uma pequena diva que temos e que nos vai surpreender muito ainda com as misturas que fará, emprestando a voz a ritmos a que estamos pouco habituados.
Fiquei uma vez mais à mercê de tudo aquilo e só me apetece voltar a vê-la não num Coliseu nem numa sala do género, mas sim num ambiente de concerto, onde se ouve fado ao mesmo tempo que se bebe umas e outras, onde há malta que nunca ouviu fado e que se vê rendido àquele encanto e àquela voz. Apetecia-me vê-la no Intendente, onde vi Dead Combo no Verão passado, aonde estavam coxos, agarrados, velhos, novos e gente mais e menos habituada a estas andanças, tudo misturado. Apetecia-me vê-la adestrar toda essa gente e a mim uma vez mais.
Not yet but soon hopefully.
14.7.14
Deamblogações vespertinas
O que eu vi na sexta-feira passada, ali na primeira fotografia, em pleno largo do Intendente, com um palco montado para os dois músicos de baixo tocarem, foi mesmo muito bom. Não digo que tenha sido sublime ou extraordinário, porque não sei bem o significado de tais adjectivos para um evento destes, mas foi sem dúvida memorável.
O largo estava à cunha - e o largo é grande, cabe lá muita gente -, na frente do palco havia várias filas de cadeiras e depois era gente por todos os lados: atrás das cadeiras e dos lados, inundando tudo.
Às 10h da noite entrou o Dead Combo, com o seu ar circunspecto, Tó Trips de chapéu de cano alto e Pedro Gonçalves de óculos escuros e fato às riscas, comme il faut. Um "boa noite" e vai cá disto que há muito a fazer.
Entre o público havia de tudo: as vizinhas que tinham vindo cedo, com toda a certeza, para arranjarem lugares à frente, a malta mai'nova do bairro do Intendente, os frequentadores do sítio - gente indiscriminada que por ali anda -, vários sem-abrigo que curtiam todos janados o som electrizante das guitarras, velhos de cadeiras de rodas, novos e semi-novos e outros semi-velhos e muita malta de fora que veio propositadamente para ver aquilo (como foi o meu caso). Entre esta última, também se via de tudo um pouco, mas já com o filtro da urbanidade habituada a este tipo de eventos (digo isto absolutamente sem qualquer pretensão).
E foi precisamente esta sã mistura de gentes, de gostos, de educações e de vivências que, juntamente com a música, me apaixonou na noite da passada sexta-feira. Todos comungavam do mesmo (uns mais do que outros, mas não é assim em todo o lado?), tinham o mesmo propósito e foram ficando rendidos à mesma música, que entusiasma quem a ouve e vê com atenção e respeito.
E depois, outra surpresa estava reservada para o final. À meia noite, depois de acabar o gig, pensava eu que nos íamos todos embora, deixando aquelas gentes entregues aos de sempre que por ali vivem. Mas mais uma vez estava enganado - assim como estava enganado quando me propuseram lá ir e eu vomitei que não me apetecia ir ao Intendente ouvir música... (próprio de um pateta arrogante, inculto e preconceituoso, que é o que eu sou) - porque dei por mim a ficar no largo por mais duas horas, com boa companhia a beber umas e outras como se estivesse em qualquer outro lado da cidade. E afinal estava, porque aquele é um lado como qualquer outro, como são os demais lados. Quaisquer.
Pois assim foi. Toma e embrulha ó Esperança.
O largo estava à cunha - e o largo é grande, cabe lá muita gente -, na frente do palco havia várias filas de cadeiras e depois era gente por todos os lados: atrás das cadeiras e dos lados, inundando tudo.
Às 10h da noite entrou o Dead Combo, com o seu ar circunspecto, Tó Trips de chapéu de cano alto e Pedro Gonçalves de óculos escuros e fato às riscas, comme il faut. Um "boa noite" e vai cá disto que há muito a fazer.
Entre o público havia de tudo: as vizinhas que tinham vindo cedo, com toda a certeza, para arranjarem lugares à frente, a malta mai'nova do bairro do Intendente, os frequentadores do sítio - gente indiscriminada que por ali anda -, vários sem-abrigo que curtiam todos janados o som electrizante das guitarras, velhos de cadeiras de rodas, novos e semi-novos e outros semi-velhos e muita malta de fora que veio propositadamente para ver aquilo (como foi o meu caso). Entre esta última, também se via de tudo um pouco, mas já com o filtro da urbanidade habituada a este tipo de eventos (digo isto absolutamente sem qualquer pretensão).
E foi precisamente esta sã mistura de gentes, de gostos, de educações e de vivências que, juntamente com a música, me apaixonou na noite da passada sexta-feira. Todos comungavam do mesmo (uns mais do que outros, mas não é assim em todo o lado?), tinham o mesmo propósito e foram ficando rendidos à mesma música, que entusiasma quem a ouve e vê com atenção e respeito.
E depois, outra surpresa estava reservada para o final. À meia noite, depois de acabar o gig, pensava eu que nos íamos todos embora, deixando aquelas gentes entregues aos de sempre que por ali vivem. Mas mais uma vez estava enganado - assim como estava enganado quando me propuseram lá ir e eu vomitei que não me apetecia ir ao Intendente ouvir música... (próprio de um pateta arrogante, inculto e preconceituoso, que é o que eu sou) - porque dei por mim a ficar no largo por mais duas horas, com boa companhia a beber umas e outras como se estivesse em qualquer outro lado da cidade. E afinal estava, porque aquele é um lado como qualquer outro, como são os demais lados. Quaisquer.
Pois assim foi. Toma e embrulha ó Esperança.
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8.11.13
6.5.13
Deamblogações nocturnas
Ontem foi bom em termos musicais - sem dúvida - mas é incompreensível que a festa organizada pelo The xx tenha sido tão, afinal, desorganizada. Tudo demorava um tempo infindo, qualquer coisa que se quisesse fazer para além de ouvir música era infernal, tanto tempo levava. E não tenho nada contra ir ouvir-se música apenas pela música, sem outras distrações, o que, aliás, gosto e prefiro, mas esse não é o conceito de um festival ou de um "get together" como o The xx quis fazer. De resto, não consigo perceber como é que algo que devia estar estudadíssimo (e não está?), ainda por cima feito por quem tem basta experiência, não funciona, assim levando milhares de pessoas ao desespero. A juntar a isto, só mesmo ter sido organizado a um Domingo. Talvez a pensar nos milhares e milhares de desempregados que não trabalham no dia seguinte, mas que, quanto a mim, deverão ter feito contas à vida antes de gastar € 50,00 num bilhete... Pura ironia, talvez aumentada pelo facto do trabalho ter impedido de desfrutar do dj set de James Murphy.
Em termos musicais, grande nota para Chromatics. Para além disso, é muito giro ver como os concertos do The xx têm vindo a mudar ao longo dos tempos. Ontem pouco tiveram a ver com a Aula Magna de há três anos e não necessariamente para pior. Antes pelo contrário.
Em termos musicais, grande nota para Chromatics. Para além disso, é muito giro ver como os concertos do The xx têm vindo a mudar ao longo dos tempos. Ontem pouco tiveram a ver com a Aula Magna de há três anos e não necessariamente para pior. Antes pelo contrário.
5.11.12
Deamblogações matinais
Depois de um fim de semana de chuva algarvia (coisa nunca por mim vista, pelo menos com aquela intensidade), regressei a casa e à constatação, mais uma, da forte crise que assola este pobre país. Explico: há cerca de dois anos, vi os The Walkmen num Coliseu então quase cheio. Discutia isso ontem com uns amigos e um deles dizia que não estava quase cheio, mas composto. Seja. Quase cheio ou composto, o que é facto é que se tratava do Coliseu e tinha muita gente. Há uns meses soube que o grupo ia voltar e outra vez ao Coliseu, o que me encheu de contentamento e tratei de comprar bilhetes não fossem os mesmos esgotar. Nunca mais me preocupei com a coisa, mas na semana passada soube que o concerto tinha sido transferido para a sala TMN ao Vivo, cuja existência eu aliás desconhecia. Achei estranho mas percebi muito naturalmente que a fraca venda de bilhetes havia levado à procura de um espaço consideravelmente mais pequeno, tentando assim não cancelar o concerto. Não sei se as bandas têm nestes casos direito ao cancelamento porque é evidentemente muito diferente tocar no Coliseu ou naquele salão de baile adaptado aos tempos modernos, onde a voz de quem fala quase que incomoda quem está a tocar. O que sei é que nem assim o concerto estava cheio (longe disso), num sinal claro e evidente da crise que atravessamos. Aquilo mais parecia um show case e não o espectáculo mais ou menos apoteótico com que eu, porventura ingenuamente, sonhei há alguns meses atrás. Não é de espantar. Afinal, se as pessoas começam a racionar nos bens alimentares, como não o fazer em coisas "supérfluas" como estas? Em todo o caso, é uma manifestação dos tempos que correm que é nova para mim. Isto não está para meninos.
26.10.12
Deamblogações matinais
Vi ontem no Lux a antestreia do filme "shut up and play the hits/ one night only" que retrata o último concerto dos LCD soundsystem no Madison Square Garden, em 2011. A banda acabou porque James Murphy decidiu acabar, mesmo estando a pouco do auge do reconhecimento público. Mas é precisamente esta a questão que fica no ar depois de se ver o filme (e, aliás, ele próprio se questiona sobre isto): o abandono - se é que de abandono se pode ou deve falar - de um projecto extraordinário e com indiscutível qualidade musical, que rompeu e inovou em termos sonoros, é compreensível numa altura em que todos quase sem excepção pretendem exactamente o contrário, i.e., a fama e o reconhecimento a qualquer preço independentemente da qualidade?
O que é engraçado é que existe, de facto, tensão (mesmo para o próprio James Murphy) entre o que ele quis (que foi o fim da banda) e as dúvidas que tem sobre se isso não será afinal um acto de cobardia e medo. Afinal, querer uma vida normal, ter família e querer continuar a apanhar o comboio e o metro como um anónimo pode muito bem ser uma opção de felicidade inteiramente compreensível e defensável mas dura de se tomar nos dias que correm. O que sucede é que essa escolha parece não ter cabimento actualmente, em que a histeria por 15mn de fama ultrapassa todos os cânones do aceitável.
Tive a sorte de ver o concerto inteiro algumas horas depois de acontecer porque o apanhei no Vimeo, tendo ficado de acesso interdito muito pouco tempo depois. O que vi, para além de um espectáculo muito bom, foi o fim celebrado, a chegada do tempo de virar a página, feito com uma certa tristeza serena de quem tem clarividência de ver o que quer da vida. E mesmo que não saiba exactamente o que quer (como Murphy refere no filme/ documentário), sabe o que não quer. E isso é o primeiro e decisivo passo para saber o que quer.
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