1.10.13

Deamblogações vespertinas

Ainda as autárquicas. Estas eleições tiveram a originalidade de eleger um candidato que, para além de já não poder candidatar-se por causa da lei de limitação dos mandatos, está preso. Isaltino ganhou novamente a Câmara de Oeiras e mostrou a tudo e a todos que vale mais preso do que mil Menezes a distribuir dinheiro e a prometer mundos e fundos. Ele há carismas e carismas...
Este facto é, por si só, insólito, mas mais extraordinário quanto a mim é outra coisa: alguém me explica como é possível que um candidato possa livremente utilizar o nome de uma pessoa que não tem formalmente qualquer ligação com as eleições em causa e, não por acaso, foi presidente da câmara durante décadas, assim aditivando a candidatura à qual dá o nome? Como é possível que a lei eleitoral não preveja um caso destes? Como é possível que se preocupem com questões de igualdade entre os canditados (e que, já agora, vez com que a campanha não fosse seguida pelos media) e, do mesmo passo, ninguém se tenha lembrado de impedir a manipulação pura e dura do eleitorado (sim, porque é de manipulação que estamos a falar)?
Para já não fazer de outra originalidade nossa e que consiste no facto de Paulo Vistas, o actual novo presidente da Câmara de Oeiras, ter ido visitar (leia-se agradecer) Isaltino à cadeia no dia seguinte às eleições, deixando claro para toda a gente que a subserviência não apenas existe como é bem assumida. Viva a frontalidade! Já agora, ficámos também a saber que na prisão da Carregueira, onde estão várias personalidades conhecidas, todos regozijaram com a vitória de Isaltino, perdão, de Vistas, segundo o próprio afirmou a uma cadeia de tv no final da visita.
Enfim, isto é tudo de facto muito sui generis, na verdade, quase tanto como o facto de Jardim não equacionar sequer na sua pobre e já velha cabeça que o declínio do PSD Madeira pode dever-se a ele e não ser o resultado de manipulações mais ou menos sofisticadas, conforme o próprio refere.
Haja paciência.