Disse-lhe que esperava que não roubassem nenhum boneco e que a polícia municipal não o chateasse (tinha-me dito que não tinha licença). À tarde, quando lá passei outra vez, estava uma câmara com ar profissional a filmar. No dia seguinte às 7 da manhã já não havia nada.
23.10.13
Deamblogações nocturnas
Eram sete e pouco da manhã e o homem com ar de estrangeiro e bom ar punha uns bonecos dentro do lago do jardim das Amoreiras, de calças arregaçadas, indiferente aos olhares que, àquela hora, não eram muitos. Quando voltei a passar, estava no fim do seu trabalho: muitos bonecos, todos iguais, brancos virados para o mesmo lado e um deles igual mas com cor. Meti conversa e perguntei o que era, ao que respondeu, muito educamente, perguntando-me se eu não reconhecia a personagem. Hesitei, meneei a cabeça, de repente fez-se luz. Era ele sim. José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Adiantou explicando que o objectivo era pôr as pessoas a pensar no que ele tinha feito a este país. (imaginei logo que estava a ouvir aquilo de um estrangeiro...) Toda a gente que ele tinha posto em lugares-chave, todos os casos que tinham existido e que o envolviam, todo o vazio que ele próprio tinha criado no país. Foi este último comentário que mais me marcou. O vazio criado.
Disse-lhe que esperava que não roubassem nenhum boneco e que a polícia municipal não o chateasse (tinha-me dito que não tinha licença). À tarde, quando lá passei outra vez, estava uma câmara com ar profissional a filmar. No dia seguinte às 7 da manhã já não havia nada.
Disse-lhe que esperava que não roubassem nenhum boneco e que a polícia municipal não o chateasse (tinha-me dito que não tinha licença). À tarde, quando lá passei outra vez, estava uma câmara com ar profissional a filmar. No dia seguinte às 7 da manhã já não havia nada.