19.2.13

Deamblogações vespertinas

Ao retratar parte do panorama arquitectónico paulistano, um master-friend meu diz o seguinte:

"Estas torres coexistem mudas entre si. O seu desempenho urbano resulta de um fabrico autocentrado  e focado na distinção da sua vizinhança."

Refere-se aos condos fechados em construção actual, impermeáveis à vida da cidade, que ficarão protegidos por muralhas agrestes que visam impedir olhares e visitas de todos os que passam e habitam a cidade. Aliás, isso sempre me fez pensar como compatibilizar condomínios fechados, independentemente da sua dimensão, com viver a cidade. Por definição, não se pode viver a cidade sem a experienciar, sentir e olhar por dentro. Por estas razões, sempre fui crítico deste tipo de planeamento urbano, que volta as costas aos seus próprios habitantes em nome da segurança, riqueza e mais sei lá quê. Repelindo todos os que não habitam lá, aqueles que passam pois a ser vistos como "os outros" ou "aqueles", já não parte do "nós colectivo". Esse, definitiva e irremediavelmente quebrado.