O Governo recuou na TSU, mas recuou mal. Em primeiro lugar porque Passos insistiu até ao fim e com ar absolutamente convicto que a medida era justa e equitativa, sendo a única possibilidade viável. É, pois, uma derrota pessoal. Em segundo porque o fez depois de ter Portugal inteiro contra ele, o que adensa ainda mais a sensação dessa derrota. Em terceiro porque vai tarde, como tarde vai ficando uma remodelação que cada dia que passa se impõe como mais urgente. Por fim, porque, como alguém me dizia há dias, quando se ia mexer na TSU pelo menos sabia-se o que ia acontecer, agora nem isso. Aumento de impostos? Quais? Quando? Para quem? Está, assim, criada a confusão.
É preferível um recuo do que uma má medida, mas o que tinha sido mesmo preferível era uma ponderação efectiva antes daquele desastroso anúncio há semanas atrás a escassos minutos de um jogo da selecção nacional. Com o PS plenamente envolvido, como é evidente, o que se provou que não aconteceu.
Tudo isto foi demasiadamente mal conduzido. Com riscos enormes para o país porque instalou-se definitivamente um clima de guerrilha que, lenta mas inexoravelmente, vai carcomendo os ossos de quem está.