7.8.12

Rumo ao Sul - Apontamentos 8

Lá fora o calor, a sujidade, a amálgama por vezes incómoda de pessoas, os carros, o barulho. Dentro, a frescura, a higiene, o silêncio sincopado por uns toques de trompete, por vezes, outras de piano, mas sempre bem e ao sabor do momento do dia.
É essa a sensação do Riad. Ninguém o adivinha da porta para fora, o paraíso que ali está dentro, o bom gosto, o art-déco oportuno e com sentido, a ausência de maneirismos inúteis e que só complicam, os recantos para estar, o verde das árvores e plantas, a eterna arara que é muda, a fonte que dá de beber a tantos pássaros que por lá passam.
Foi com sorte que, um dia, este Riad nos apareceu à frente sem sabermos exactamente ao que íamos. Haverá muitos mais, provavelmente melhores, ou porque têm uma gastronomia excelente ou porque têm um luxo imbatível ou porque têm camas ultra king size ou por isto ou por aquilo. A mim nada disso me importa. Cada vez mais me importa a escolha em função dos afectos e este Riad é, para mim, imbatível. Porque me sinto lá muito bem, porque me revejo em muitas das escolhas que foram feitas por quem decidiu a sua forma final, porque quero sempre lá voltar. Afinal de contas, o que muitos procuram e quase nenhuns conseguem. Por isso, os outros, com todo o respeito, que se lixem. Ali encontrei o sítio onde, se puder, regressarei sempre.