10.7.12

Deamblogações vespertinas

"Nada nos destruirá" é algo em que não devemos acreditar. "Nada nos impedirá de cair" é outra máxima que não tem qualquer aplicação a Portugal e aos portugueses. "Seremos salvos no final, ao tocar do gongo", idem aspas. Portugal está a afundar e vai afundar ainda mais. Não tenho qualquer prazer em pensar assim e, pelo contrário, faço figas para estar enganado. Se daqui a um ou dois anos, amigos meus me disserem que eu era completamente parvo porque não percebia nada disto e não soube analisar a situação, fico mesmo muito contente. Prefiro claramente o bem comum à eventual razão das minhas opiniões. Até porque não apenas são opiniões, como são opiniões desqualificadas, de alguém que pouco ou nada percebe do assunto. Vai lendo, vai vendo e vai, com dificuldade, reflectindo e concluindo. A OCDE veio dizer agora que a taxa de desemprego será, afinal, ligeiramente mais baixa em 2012 do que o Governo antevira. Mas a OCDE está profundamente enganada, tal como estavam enganadas as gentes da troika que pensaram que o programa de ajustamento da economia portuguesa era exequível no prazo inicialmente previsto. Na verdade, nunca foi. Da mesma maneira que a taxa de desemprego vai ser muito superior a 16%. Veremos. A OCDE tem, segundo parece, a fórmula mágica: diz que Portugal precisa de crescer para criar emprego e fazer baixar a taxa de desemprego. O meu filho de quatro anos não diria melhor. Pois essa, só e mais nada, a grande questão que ocupa (e deve ocupar) a sociedade portuguesa nos próximos dez anos. Não apenas cinco ou seis, mas dez anos. Dez anos a delinearmos uma estratégia de crescimento sustentado sem assentar em subsídios ou apenas no crédito. Não, definitivamente o termo "nada nos destruirá" não se nos aplica. A manter-se o rumo dos acontecimentos, quer nacionais quer internacionais, o futuro a curto, médio e longo prazo não será nada bom. Sempre ouvi dizer que, antes de curar o mal, é preciso saber quão grande é o mal. Ou seja, é preciso reconhecer, primeiro, que o mal existe e, segundo, que é extenso e muito eficaz, tão eficaz que pode dar cabo das nossas vidas tal como as conhecemos até hoje. Há já muita gente a quem isso aconteceu. O que podemos nós fazer? Agir. Como? Desde logo, não compactuando com aldrabices, mentiras, esquemas, vigarices e afins. Denunciando e não calando. Acreditando que, assim, o Bem ganhará ao Mal, que, assim, Portugal será contaminado por uma boa energia. Pode parecer vago, mas eu acho que é tudo menos vago. Vamos praticar o Bem e o Bem sobrepôr-se-á ao Mal. É preciso querer e acreditar. É preciso que nos interessemos por isso. Afinal, é de nós próprios e de todos os "nossos" que estamos a falar.