11.4.12

Deamblogações matinais

Sobre o Acordo Ortográfico (OA) muita tinta se escreveu e se escreverá. Hoje mesmo, num artigo do Público, vêm algumas das razões pelas quais Angola e Moçambique ainda não o ratificaram. Confesso que no fim da leitura do artigo fiquei quase na mesma, ou talvez um pouco pior, porque me convenci ainda mais da inutilidade, falta de oportunidade e irrazoabilidade de adopção de uma grafia comum que tenta unificar o que não é de maneira alguma unificável. O paralelo mental que sempre faço (no sentido de me convencer da bondade do acordo) é com a língua inglesa, comum aos países da Commonwealth, mas aí, embora se trate de países distintos, não há - pelo menos que eu saiba - tantas assimetrias, designadamente as relacionadas com dialectos e culturas locais com centenas e centenas (milhares?) de anos de repositório e sedimentação. Gostaria de saber se existe um levantamento do número de dialectos nacionais e locais dos países africanos (para já não falar no próprio Brasil). Não há noção de que em muitos desses países (Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné), o português é apenas falado nas capitais e, mesmo nessas, apenas por uma parte da população (!). Pergunto-me, pois, se a "simples" adopção de uma língua comum devia ou não ser fomentada...
O artigo a que faço referência termina com uma citação de um antropólogo moçambicano chamado José Pimentel Teixeira que diz que o AO "é uma pantomina da concepção da partilha (cultural, linguística, política) que se anuncia para agora, é tetricamente reaccionário".
Tendo a concordar em toda a linha.