Ontem seguia o veredicto do julgamento do médico de Michael Jackson, que está a decorrer no estado da Califórnia. Depois de ter sido considerado culpado, o advogado de defesa requereu que o mesmo pudesse aguardar a sentença (final deste mês) em liberdade, baseado, fundamentalmente, no facto de ele ter sempre estado em liberdade até agora, ser médico no activo, o que inspira confiança na comunidade e mais um ou dois argumentos deste tipo. Depois, o juíz enumerou os motivos que, em seu entender, deviam ser considerados para uma decisão sobre esse pedido e terminou concluindo que o médico devia aguardar a sentença na prisão. Pois nesse preciso momento, chegaram não um, nem dois, mas três polícias ao pé do médico, tendo-o rodeado e algemado. Nesse exacto minuto. Diga-se que o médico estava sentado ao lado dos seus advogados, de fato e gravata, com ar absolutamente calmo e controlado. Foi algemado, tendo um dos polícias, segundo pareceu, sussurado ao seu ouvido que deveria encostar-se para disfarçar o facto de se encontrar algemado.
Isto é, mais ou menos, a mesma coisa que vermos cá uma personalidade mediática ou importante da nossa vida social, política ou económica acontecer-lhe semelhante coisa. Tínhamos logo esse grande arauto da defesa dos oprimidos que é simultaneamente bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho e Pinto, aos berros nos jornais e nas televisões, a dizer que estavam a atentar contra os direitos fundamentais do cidadão, etc., etc..
Não está em causa saber se se justificava algemar o homem. Muito provavelmente não. Mas, lá como cá (cá por péssimas razões), a justiça também vive das imagens e do que mostra. Há uma mensagem expressa naquele acto que é a seguinte: nós aqui não brincamos em serviço. O tribunal manda ir para a cadeia e portanto até lá ponham-se as algemas porque, se se vai para a cadeia, é porque se é potencialmente perigoso. Não há paninhos quentes nem contemplações. Nem mais.