Ontem via alguns canais de notícias. Em todos eles, a chamada de capa era a Madeira e o novo buraco orçamental de € 2M descoberto pelo Tribunal de Contas. Creio que na RTP-N foi feito um directo para um comício em que o Dr. Jardim discursava com aquela verve singular, entre perdigotos e inanidades. Mais ou menos de 30 em 30 segundos, o Dr. Jardim calava-se para recuperar o fôlego, dando lugar a uma banda que assegurava que nesse período de tempo não se instalava o silêncio. Foi então que me dei conta que nesses intervalos eram tocados (por duas vezes) os primeiros acordes do hino do PSD. Bizarro (e saloio), pensei, mas o melhor estava para vir: num desses pequenos interregnos, o Dr. Jardim olhou para o relógio e retoma, dizendo qualquer coisa como isto (cito de cor): "Bom, meus amigos, são horas de jantar e eu não vos quero maçar nesta hora de jantar. Mas quero pedir-vos uma coisa. Quero pedir-vos que me ajudem. (sic) Ajudem-me. (sic) Ajudem a mais uma vitória clamorosa do PSD-M, etc., etc.". Enquanto isso, a banda desta feita não se calou. Logo que o Dr. Jardim começou, com voz lamechas, a pedir ajuda aos eleitores, iniciou-se uma musiquinha também ela lamechas a puxar ao sentimento, como se se tratasse do Perdoa-me ou de outro programa do mesmo estilo.
Isto seria só divertido se não fosse grave de mais. É que é grave de mais o que se soube na Madeira por estes últimos dias. Não há argumento ou motivo que legitime tamanha desfaçatez e sem-vergonha. É de uma irresponsabilidade a toda a prova. E mais: é a prova de que, verdadeiramente, o Dr. Jardim e os seus caciques se estão completamente nas tintas para o país, porque sabem que os seus responsáveis políticos sempre lhes deram cobertura e assinaram por baixo as contas que sempre foram deficitárias. Até ao dia. Eu cá por mim estou-me rigorosamente nas tintas para a Madeira. Se querem a independência, pois tenham-na. Mas desconfio que essa bandeira sempre serviu muito mais de ameaça chantagista do que de verdadeiro aviso. Isso é que era bem feito: ai o Dr. Jardim ameaça com a independência? Pois tome, aqui a tem! A ver como se governavam...