28.9.11

Deamblogações matinais

Duros tempos estes. Em que a economia portuguesa e mundial está como está e cria enorme incerteza quanto ao futuro, para além da certeza de um futuro pior. Em que não há liderança e, por não haver liderança, não existe um rumo que nos sirva de esperança para o encontro de uma solução. Em que cada um pensa uma coisa e diz outra e o que pensa e diz é diferente consoante as circunstâncias e os interesses do momento. Em que o mundo tal como o conhecemos até hoje, com o equilíbrio geo-estratégico definido desde a segunda guerra mundial e, mais tarde, desde a queda do muro, não pode continuar a existir. Em que ninguém, mas rigorosamente ninguém, consegue prever o que acontecerá daqui a seis meses. Em que, por tudo isto e muito mais, todos temos a sensação de que podemos estar a trabalhar para nada, literalmente para aquecer, porque, entretanto, o medo da conjuntura leva-nos o dinheiro nos impostos que pagamos (quem ainda pode pagar impostos) e não nos dá nada em troca, nem SNS, nem segurança social, nem medicamentos, nem educação, nada de nada. Em que não perspectivamos o que pode ser a vida dos nossos filhos, sendo que a antecipação do futuro é, por natureza, inerente ao processo educativo (no sentido do "upbringing" inglês). Em que o que temos hoje não sabemos se manteremos amanhã. E amanhã é mesmo amanhã, o dia depois de hoje. Toda esta incerteza é certa, certa como a dureza dos tempos que vivemos. E vem pior.