22.8.11

Inquietações nocturnas

O que acontecia era uma tarde surreal. O ar tinha aí uns 30 graus de temperatura e naquele sítio o vento soprava com invulgar intensidade. Disseram 100 km/h. Não provei. Não sei. Mas sei que o fenómeno era pouco habitual, pelo menos para mim. Vento, grande vento, quente e forte. A acompanhar uma singela imperial. Duas singelas imperiais. Três singelas imperiais... And counting. Nada de novo e tudo novo. Ouvia-se um som, com batida mas sem exagero e adequado ao momento. Ali, quase à mercê, o mar. O mar. A ser arrastado pelo vento quente, para oeste. Nada na mão, nada na manga. Lembrei-me logo de outras paragens mais continentais e menos oceânicas. Difícil perceber porquê. Talvez do castelhano que pairava à volta. Talvez. O vento partia e levava tudo. Copos, cadeiras, mesas. E, mesmo assim, estava grudado lá fora. Sem mais. No meio disto veio um tango batido muito fora. O sol punha-se leve e envergonhadamente. No fim, quase no fim, um mergulho no Amado, a amar o momento. Com vento, muito vento, como que a trazer uma companhia muito própria. Muito própria e solitária, como solitário foi aquele momento. É sempre.
Disse eu, pensaram eles.