O problema destas eleições é o Medo. O Medo grassa por toda a parte, em toda a gente, da mais pequena porque não tem poder e teme os mais poderosos, até à mais graúda porque tem favores a pagar e está comprometida. O Medo condiciona a cabeça e as opções que deviam ser tomadas livremente e sem constrangimentos. Tudo isto ainda é pior pelo facto de vivermos num país ridiculamente pequeno, em que existe um fosso enorme entre os "conhecidos" e todos os outros, o que torna tudo ainda mais insuportável.
Há medo de votar contra Sócrates (não é contra o PS), há medo de votar em Passos Coelho, há medo que isto tome um caminho esquisito, que não se consegue bem antecipar qual seja. Há medo. Medo, com maiúscula. Esse Medo paralisa, entope, não deixa avançar, não deixa evoluir, não deixa arriscar, não deixa falhar (e é tão importante poder falhar...). Medo de ficar sem ordenado, medo de não conseguir manter o emprego, de não conseguir manter o estatuto, de não conseguir comprar o carro novo, de não conseguir ir de férias. Medo.
Ponham à venda dúzias de cães, de preferência Dobermanns, porque quem tem medo compra um cão. Mas pode comprar mais do que um, se aqueles que se puserem à venda forem baratos. Cada medroso devia era comprar um par de animais para lhe fazer companhia e protegê-lo do Medo. Talvez assim o Medo fugisse, fosse embora, desaparecesse para sempre e descomprometesse as pessoas tornando-as mais livres e permitindo que esta nossa sociedade evoluísse definitivamente tal como precisa. Já agora, os cães podiam vir formatados para não gostar de aldrabões e caciques, assim desempenhando dois papéis: ao mesmo tempo que protegiam os medrosos, atacavam os poderosos.
Começava assim uma nova Era.