Ontem Marcelo disse tudo o que Pedro Passos Coelho devia ter dito (e não disse bem) no final do debate com Portas: que a disputa é apenas (sublinhe-se, apenas) entre o PSD e o PS; que os únicos (sublinhe-se, únicos) candidatos a primeiro ministro são Passos e Sócrates; que não é de todo indiferente que o PSD tenha 30 ou 40% e o CDS, respectivamente, 20 ou 10%. Transformar em simples o aparentemente complicado. Falar para toda a gente ouvir e perceber. Criar uma espécie de mantra como, de resto, o candidato Sócrates tão bem faz.
Faltou rasgo a Passos Coelho. Deixou que Portas o dominasse com um ar insuportavelmente superior e magnânime. Ora, Portas não é nem superior nem magnânime, e o que está a fazer agora não é mais do que puro e simples cálculo político. Aliás, eu fui dos poucos que não ficou logo convencido que ele tenha fechado a porta a um entendimento pós-eleitoral com o PS. A sede de poder do CDS (e de Portas e da sua entourage, antes de mais) é mais do que evidente e não creio que o, ainda, candidato Sócrates, eventualmente noutro papel num futuro muito próximo, obstaculize esse desiderato.