3.4.11

Deamblogações vespertinas

«Já há 60 ou 70 anos que os jovens não lêem. Lembre-se de que os jovens já não lêem livros, lêem sms, livros de BD, resumos no Kindle: o Hamlet em 25 palavras, o Lear em 50 palavras. Os jovens estão impacientes, estão zangados, muito zangados com uma civilização, uma sociedade, que não lhes está a dar a esperança socioeconómica de que necessitam. Para ler, ler seriamente, tem de haver determinadas condições. (...) Para ler seriamente é preciso silêncio. Não ponha música, tire a rádio e a televisão do quarto. Tem de saber viver, e conviver, com o silêncio. (Cada vez menos jovens querem viver com o silêncio. Na realidade, têm-lhe medo. O silêncio tornou-se, de resto, muito caro. (...) Tem de estar preparado para - e não riam de mim - saber passagens de cor. Aquilo que amamos devemo-lo saber de cor. Não é por acaso que «coração» em latim é «cor». (...) precisa de ter alguma privacidade. Esta última condição é tremenda, provavelmente a mais difícil, em especial para os jovens de hoje. Actualmente, a privacidade é o inimigo n.º 1 de todo o jovem. Não só se confessa tudo a toda a gente, como é imperativo que o façamos imediatamente. Ninguém guarda a experiência, qualquer quer ela seja, só para si. (...)»
George Steiner, em entrevista na Ler n.º 100.