O discurso do Governo e do PS mudou oficialmente. Desde ontem, a questão já não é o problema da vinda do apoio europeu, mas sim o facto de um Governo de gestão não ter poderes para o pedir.
É repudiante ver esta interminável perfídia por parte daqueles que nos governam. Mentem descaradamente, fazem-nos de parvos, julgando que quem os ouve, primeiro, não percebe o que dizem e, segundo, já se esqueceu do que disseram dias atrás.
Até há dois dias atrás, o primeiro-ministro insistia no discurso do "orgulhosamente sós", afirmando que o Governo tudo iria fazer para evitar a vinda do FEE. Ontem, o azimute mudou (em coro, como é da praxe) e a cantilena passou a ser a de que o Governo não tem poder para chamar o FEE. Como se o Governo sempre o quisesse ter feito e fosse agora por uma questão meramente técnica que não o pudesse.
Quem viu a entrevista do ministro das Finanças ontem à TVI24 - e eu não consegui vê-la toda de tão revoltado que estava - percebeu que Portugal está neste momento em absoluta e total roda livre. Ninguém no Governo se importa, ninguém faz nada, ninguém assume as suas responsabilidades. Estes senhores deviam ser responsabilizados, não apenas politicamente, mas criminalmente. Ao faltarem ao país estão a hipotecar anos preciosos de crescimento e desenvolvimento. Somos um país genericamente fraco, mas merecíamos melhor, muito melhor, do que isto.