24.3.11

O tempo corre por conta de Sócrates

Na campanha que já começou há alguns dias e que ontem teve formalmente início, o tempo corre a favor de Sócrates e do PS. De facto, na académica hipótese de as eleições serem daqui por quinze dias ou três semanas, o povo lembrar-se-ia bem das marcas da crise e de quem muito contribuiu para não a resolver. O Governo, evidentemente, e, à cabeça, o primeiro ministro. No entanto, não é isso que vai acontecer. O que vai acontecer é que, daqui até Maio ou Junho, a propaganda habitual e eficaz do Governo/PS/Sócrates vai fazer com que as pessoas esqueçam tal facto, pelo contrário, atribuindo a situação de crise, instabilidade profunda e, quiçá, eventual recurso aos mecanismos de ajuda internacionais ao PSD e à sua "irresponsabilidade política". Como a situação tende a piorar e a tornar-se mais instável, as pessoas terão cada vez menos capacidade para distinguirem o trigo do joio, sendo levadas a crer que, de facto, o PSD, ao não aprovar o PEC IV, desajudou o país e teve uma conduta irresponsável. Naturalmente que nem toda a gente acreditará nisto. Mas perder-se-ão milhares de votos actualmente contra o Governo por causa do tempo que decorrerá daqui até às eleições. O tempo corre, por isso, de feição a Sócrates e a todos os seus apparatchiks. Quanto mais meses passarem melhor. Neste contexto, a direcção do PSD, e Passos desde logo, deve desmascarar desde já esta mais do que prometida tendência, pondo a nu o que vai passar-se daqui em diante. Também neste contexto e por causa do que antecede, cada vez tenho menos dúvidas de que foi já cometido um erro, porventura crasso, por parte do PSD ao não aceitar coligar-se pré-eleitoralmente com o CDS. Efectivamente, isso contribui em muito para o fortalecimento do PS e do Governo neste período eleitoral. Dividir para reinar será o pensamento que assaltará Sócrates e os seus. O mais estranho é que nem sequer tiveram que fazer o que quer que fosse. Ora, isto só por si é um péssimo indício para o que aí vem.