Que o governo está em desgoverno há muito toda a gente sabe e percebe. Que não existem ministros, que cada um diz o que quer, que não há liderança, que o primeiro ministro e o ministro das finanças andam a reboque dos acontecimentos, que andam a mando da Alemanha (como poderia ser de outra forma?), que não existe qualquer coerência nas políticas (que politicas?) seguidas, que todas as medidas (que medidas?) tomadas são absolutamente irrelevantes e incapazes de travar a subida dos juros da dívida soberana e do desemprego, enfim, isso também toda a gente sabe e sente. Mas o que nem toda a gente sabe, porque muitas vezes passa despercebido, é a incompetência e a arrogância desmedida de alguns dos membros deste miserável, absolutamente miserável, governo. Ontem, apenas ontem, dois exemplos disso mesmo. Primeiro, as declarações do ministro das obras públicas no Parlamento, devidamente ladeado pelo magnânime secretário de Estado Paulo Campos, quando afirmou que serão gastos qualquer coisa como 12 mil milhões de euros no período compreendido entre 2010 e 2015. Numa altura destas, nem consigo qualificar tamanha irresponsabilidade. Deve, com certeza, viver noutro mundo. Ou então, é a total e mais absoluta ausência de noção do que se diz. Talvez isso. Por outro lado, tivemos igualmente as declarações, sempre esclarecidas e fundamentadas, do secretário de Estado do emprego, Valter Lemos (que já na qualidade de secretário de Estado da educação nos tinha habituado a declarações esclarecidas e fundamentadas), que veio comentar o aumento da taxa de desemprego para 11,2%. Segundo o próprio, esse número é bom (sic) porque significa que, primeiro, o desemprego não chegou aos 11% em 2010 (o que é que uma coisa terá a ver com outra?...) e, segundo, que o desemprego jovem (abaixo dos 25 anos) diminuiu. Segundo o próprio, a única coisa má é que estamos a falar de números relativamente altos (sic, uma vez mais).
Estes (ir)responsáveis e arrogantes membros do Governo têm o descaramento de achar que quem os ouve aceita acriticamente o que dizem e não percebe que é mentira, rotundamente mentira. É mentira que o Estado tenha a referida capacidade de endividamento, tal como é mentira que o número do desemprego tenha algum lado positivo. Meu Deus, isto é tão, mas tão evidente, que até é ridículo de se escrever... Mas é esta gente que nos governa. Ora nem mais.

