14.3.11

Deamblogações matinais

O PEC IV (ou V?) - o nome parece o de um extra-terrestre - foi decidido sem reuniões ou acordo prévios entre o Governo e os partidos (sobretudo PSD), parceiros sociais, e, mais importante, sem que o Presidente da República tenha sido informado. Foi decidido também sem que o primeiro ministro se tenha dignado a explicar aos portugueses os motivos de mais um pacote de austeridade.
Este primeiro ministro é um mentiroso, assim como mentiroso é o ministro das Finanças. Não há que ter medo das palavras. Mentirosos. São uns mentirosos. Dizem uma coisa e fazem outra. Apregoam uma verdade e, dois dias depois (às vezes apenas um), desdizem-na como se nunca tal lhes tivesse passado pela cabeça. Fazem de nós, portugueses, parvos. Insultam-nos com tamanha desfaçatez e sem vergonha.
Eu sempre aprendi que não se devia mentir. Mesmo aquelas situações das mentiras piadosas são de evitar. Foi isto que sempre aprendi. É claro que, como adultos que somos, temos a capacidade e autonomia de escolher em cada situação se seguimos ou não estes ensinamentos. Acho que, entre outras características como a honradez e a honestidade, a verdade é absolutamente estruturante do carácter de uma pessoa.
Sócrates e Teixeira dos Santos mostram a toda a hora que não são dignos dos cargos que ocupam. São mentirosos. Mentem com quantos dentes têm, sem vergonha de o fazer porque sabem que ficarão impunes por mais algum tempo e que mesmo quando esse tempo tiver passado e deixarem de exercer funções governativas, ninguém os vai responsabilizar pelo que (não) fizeram. Por isso mentem. Mas não só por isso. Mentem não porque foram obrigados (o interesse de Portugal é um saco grande mas tem limites) mas porque não têm coluna vertebral para assumir as respectivas responsabilidades.
Só não consigo perceber porque é que os responsáveis de outros partidos não lhes dizem isto na cara. E isso deixa-me fortemente preocupado.