Nos jornais fala-se de Cristiano Ronaldo e do facto de ter anunciado "nas redes sociais" (leia-se, Twitter e o inevitável Facebook) que tinha sido pai. Por estranho que seja, o facto, em si, já não causa qualquer estranheza. Uma figura pública anunciar nas ditas redes a sua paternidade. Porém, Ronaldo fez mais: anunciou que iria assumir sozinho a custódia da criança que, segundo ouvi na rádio, já se encontra aos cuidados da família. A mãe, essa, das duas uma: ou foi contratada ab initio para ser barriga de aluguer, ou o que aconteceu foi fruto de um encontro casual que teve efeitos indesejados (ainda assim, parcialmente assumidos). De qualquer modo, a quantia para dar à luz e nunca vir à cena, recusando, provavelmente, voltar a ver o filho que saiu do seu ventre depois de lá ter sido concebido, deve ter sido elevada. A ver vamos se o futuro não nos revela surpresas quanto a "diversas mães" do filho de Ronaldo que deverão surgir como cogumelos atrás de um hipotético filão...
Mas a notícia também me espantou por outro facto. Claro que isto é uma oportunidade de ouro para a imprensa encontrar um álibi para as más prestações da selecção portuguesa no mundial da África do Sul. Fiquei atónito quando ouvi na rádio uma especulação (porque não se trata de jornalismo, mas sim de especulação pura e dura) sobre o momento do nascimento do filho de Ronaldo (alegadamente, dois dias antes do jogo contra a Coreia do Norte) e dos efeitos que isso poderá ter tido no seu desempenho. Tal afirmação foi logo suportada por opiniões de psicólogos (um? mais? quais?) que, alegadamente, vieram a terreiro dizer que a prestação futebolística do craque poderá ter sido afectada por toda esta situação. Nada mais conveniente. Afinal, a equipa portuguesa - e especialmente Queiroz - não tem culpa absolutamente nenhuma para o que aconteceu. Não foram falhas técnicas e tácticas. Não foram más substituições. Não foram diversos casos que (não) ocorreram ao longo do estágio e do mundial. Nada disso. Foi tão-só a preocupação de Ronaldo com o nascimento do filho. Percebe-se.
Para além de toda esta lamentável história (Ronaldo, o filho, o Facebook, a barriga de aluguer, etc.), só nos faltava mais uma oportunidade para nos atirarem com mais areia para os olhos, como se fôssemos todos estúpidos, como se não conseguíssemos ter algum, por pouco que seja, sentido crítico e perceber que tudo isto são distracções face ao que interessa, que nada disto interessa verdadeiramente, que nada disto justifica o que se pagou e vai continuar a pagar aos jogadores da selecção e à equipa técnica, com destaque para o treinador (treinador?!).
E daí talvez não. Ronaldo fez muito bem e, afinal, apenas quis o bem pátrio. Arcou sozinho com a culpa dos resultados, das exibições e do desfecho da campanha da África do Sul. Foi tudo culpa dele e do facto de andar stressado por causa do nascimento do filho. Ora, nem mais.
Tudo isto é demasiado triste, tudo isto é demasiado fado.
