10.3.10

Deamblogações matinais

Não costumo ligar a histórias dramáticas com crianças. De resto, não costumo ligar a histórias dramáticas. Considero que, muitas delas, são produto da comunicação social que temos hoje em dia. Que dizer de Maddie, de Alexandra e de mais dois ou três casos tão badalados nos últimos tempos? Há uma semana, porém, vi nos telejornais uma história que me arrepiou: a de um miúdo de 12 anos que se atirou ao rio sem um motivo aparente, depois de o próprio irmão gémeo o ter tentado demover. Consciente que não sabia nadar, a criança sabia que ia ao encontro da morte. E insistiu nela.
Para além de se estar agora a perceber que o rapaz era agredido e ameaçado na escola - serão apuradas responsabilidades? -, o que me impressiona é como um miúdo daquela idade pode calar fundo tamanha solidão, que o leva a suicidar-se. Hoje no Público, refere-se que a mãe diz que nunca havia percebido qualquer tristeza no filho. Admitindo que classes menos instruídas terão menos apetência e conhecimento para identificarem sinais de perturbação deste tipo, ainda assim choca que a própria mãe não tenha sido capaz de diagnosticar a situação. Isto coloca-me, como pai, uma questão: andaremos distraídos com os nossos filhos ou existem situações que, por muito que estejamos atentos, não conseguimos pura e simplesmente identificar? No artigo do Público refere-se que o miúdo havia pedido à mãe que lhe lavasse o fato do rancho em que andava porque poderia precisar dele a qualquer momento. Tal facto aparenta que ele considerava a possibilidade de continuar vivo. Considerava, apenas, não estava convencido.
Mas isto traz à tona outra questão para a qual o mundo não atenta: tanta e tanta gente triste, insatisfeita, deprimida, sem que se lhe consiga chegar. Pobre Leandro Pires. Fez com 12 anos o que é próprio de gente adulta.