
Hoje é um dia triste, particularmente triste para todos os que, durante anos, seguiram os Sopranos. Muito se disse e se escreveu a propósito do fim da série e do significado que isso consigo trazia. O facto foi capa da Times, manchete no NYTimes, Washington Post, desenvolvido no Economist e numa série de revistas e periódicos um pouco por todo o mundo.
Quem, como eu, acompanhou a série desde o princípio (foram seis séries, ao longo de sete anos), bem sabe o sentimento de nostalgia que fica. Não se trata de uma série qualquer, e aí é que está a coisa. A densidade das personagens, o realismo por vezes (quase sempre) tão cru e, aparentemente, desumano (pelo contrário, tão humano), a proximidade com as nossas vidas, apesar de estarmos a falar de umas quantas famílias de mafiosos, deixa a certeza de que não se vislumbrará nada de semelhante nos próximos anos.
E até lá? Como dizia Jorge Mourinha no Público de há uma semana, como é que vão ser os serões de segunda-feira? Acrescento: como é que fica o panorama televisivo português? Sem dúvida mais pobre e menos inteligente. Porque, para além do enredo de fundo dos Sopranos, havia inteligência e fineza de espírito na forma como as questões eram abordadas, na forma como eram transmitidas. A ironia da vida contada através de um personagem que para sempre ficará na memória: Tony Soprano.
Detesto a ideia das séries (e da maior parte dos filmes) em DVD. Acho que na maioria das vezes é o expoente máximo do consumo acéfalo que se generalizou: as pessoas compram os ditos e depois vêem (vêem?) uma vez, duas no máximo. E depois? As caixas ficam lá a apanhar pó até um dia irem para o lixo.
Contudo, apesar disso, equaciono comprar as seis séries dos Sopranos. Mesmo que as não veja - porque já as vi e não há impressão como a primeira - ficarão numa qualquer estante, ao pé dos livros. Porque tem suficiente dignidade para estar ao pé dos livros, longe de alguns DVD que alguma permeabilidade a esse consumismo desenfreado vai fazendo com que existam.
Tudo tem um fim e é bom que seja assim. Sair em alta sempre foi invejável. Mas custa. E não é pouco.