
Estou-me completamente nas tintas para o tradicionalismo e para as tradições, só porque sim. Há coisas óptimas e péssimas na globalização e na standardização. Há, porém, uma corrente global - politicamente correcta, mas que a meu ver está longe de dominar a communis opinio - que quer impor regras iguais em todo o lado, com as justificações mais diversas: protecção da saúde, limpeza, evitar a poluição, etc., etc..
A ASAE mais não faz do que aplicar as regras que são criadas pelo legislador. É verdade. No entanto, a ASAE faz uma interpretação muitas vezes extensiva dessas mesmas regras, ainda por cima assente nos poderes de polícia que o legislador lhe conferiu, o que, reconheçamos, dá um jeito desgraçado. Ora, isto deixa de ser a mera aplicação de regras para passar a ser a caça à multa, a premiação do bufo, e - neste país de malha jurídica apertada (não deve haver outro com tantas normas, requisitos e alíneas para cumprir) - a certeza da impossibilidade de levar a cabo uma qualquer actividade que esteja sob o seu jugo. Sei muito bem do que falo.
Por tudo isto, subscrevi a petição on-line contra a normalização que nos quer tirar os bolos das praias, as ginjas e cafés dos copos de vidro, etc., e, qualquer dia, os coiratos das rulotes da bola e as imperiais de barril (hão-de inventar qualquer coisa para acabarem com as imperiais... nesse dia emigro).
Sem tradicionalismos bacocos, mas porque considero que devemos fazer tudo para dizer que existimos e que também somos donos das nossas vidas, saúde, micróbios, dores de barriga e toda essa infindável panóplia de direitos e chatices que integram qualquer ser humano adulto, capaz e livre.