A comunicação social e os seus soundbytes têm de facto uma agenda própria, a maior parte das vezes desligada da realidade. Senão veja-se: a mesma imprensa que foi implacável (muitas vezes injustamente, diga-se) para com Santana e Portas é a que agora não levanta a voz nem critica - mesmo em jeito de comentário político se vê muito pouco - as atitudes de um e de outro. Santana quer continuar a parecer o cavaleiro andante que luta contra moínhos que só ele vê, acompanhado não do seu, mas dos seus Sanchos Panças (ele tem a sorte (?) de ter vários!). É uma mistura entre a personagem de Cervantes e o D. Sebastião, que um dia, não se sabe quando, há de regressar para salvar "isto". Quanto a Portas, tem demonstrado tudo o que é. Sendo certo que me espantou quando esteve no Governo pela pose e sentido de Estado que demonstrou - eu próprio pude ver isso de perto - a verdade é que me convenci há algum tempo que essa sua actuação não ficou a dever-se a qualquer tipo de lealdade institucional ou, até, respeito pelos eleitores que tinham dado ao seu PP a possibilidade de estar no Governo. Tal ficou a dever-se a mero cálculo político: ele estava no Governo e era ministro, coisa que muito provavelmente nunca mais se passará. A deslealdade que Portas tem demonstrado para com a actual direcção do CDS, o egocentrismo que tem revelado - como se tudo ali dentro girasse em torno dele (será?) - demonstram bem que para ele não há limites quanto à ambição. A cambalhota, patética, que deu na conferência de imprensa a anunciar a sua candidatura é bem demonstrativa. E a imprensa? Alguém viu algum comentário? Ninguém viu. Talvez porque andem enebriados com a "força" e "carácter" do Primeiro Ministro ou talvez porque Santana e Portas não passem de miragens. Sendo novos, o seu tempo parece ter acabado. É tempo de dar lugar a outros e sobretudo de perderem a pose de desejados e salvadores da Pátria brandindo valores que eles próprios demonstram à saciedade não conseguir cumprir.