O que se viu e está a ver no CDS é absolutamente deplorável. O Dr. Portas demonstra que a sua sede de poder - de pequeno poder, porque previsivelmente o CDS não chegará tão cedo outra vez ao Governo, mas, ainda assim, de poder - é insaciável. Não contente com as suas funções de comentador (?) semanal na SIC-N e de deputado (com um desempenho forçosamente recatado, pelo facto de ter desempenhado as funções de último líder do partido), achou por bem dar voz pública às eternas conspirações em que ele e os seus apoiantes são pródigos. Tudo começou com o líder da bancada parlamentar - que demonstrou à saciedade ter muito pouca ética partidária - e acabou na apresentação de Portas como candidato à liderança, num discurso em que não conseguiu esconder a ânsia de poder e o egocentrismo em que vive (ouçam-se as passagens em que se assumiu já como líder do CDS).
Parece-me a mim que é de uma indecência absoluta mergulhar o partido (este ou qualquer outro) num caos total, apenas porque se discorda, legitimamente, diga-se, dos seus órgãos directores. Independentemente de saber se Ribeiro e Castro tem ou não sido um bom líder - afinal não é isso que aqui se põe em causa - os seus detractores mostram não conseguir obedecer às leis vigentes no partido, a saber, os seus estatutos, querendo à outrance mudar o que for preciso para voltarem à liderança.
Penso que é, repito, deplorável que pessoas supostamente responsáveis e que - pasme-se! - já exerceram funções de responsabilidade governativa, tenham atitudes desta natureza. Para eles vale tudo: requerimentos, protestos, reclamações, petições, arruaça, enfim, o que for preciso para lá chegar.
Começa a existir um vazio político grave no centro-direita em Portugal. Existe um número crescente de pessoas, que constituem parte significativa da classe média, que não se revêem nos actuais PSD e CDS. Todavia, o preocupante não é isso, porque "isso" poderia corresponder a um mero ciclo político. O preocupante é que não se vislumbram alternativas credíveis, porque quem as poderia dar não está disponível. Como é óbvio. Essa é que é essa.