O que se passa actualmente na Câmara Municipal de Lisboa é um verdadeiro escândalo. A todos os níveis: político, evidentemente, mas também moral.
Político porque é evidente que o Eng.º Carmona Rodrigues não tem as mínimas condições para se manter à frente de uma câmara que viu irem embora (motu proprio ou compelidos) a esmagadora maioria dos membros da sua equipa. Já fede a história de que se elegeu um partido e um presidente de câmara e não os membros da equipa escolhida por este. Já fede o discurso de que existem condições políticas para continuar a governar. Já fede a irresponsabilidade e o autismo (que não é inocente, hélas!) por parte do Eng.º Carmona Rodrigues, do Dr. Fontão de Carvalho & C.ª, do PSD, mas também, do PS e do PCP que, por mero cálculo político, não pedem eleições intercalares. E porquê? Exactamente porque são intercalares e ficam apenas com dois anos e quase meio de mandato pela frente.
Mas também se trata de um escândalo moral. Acreditei que o Eng.º Carmona Rodrigues não estava agarrado ao poder. Aliás, mais do que ideias apresentadas e mais do que a ideia que eu tinha acerca do político (que, de resto, é inexistente...), o que me levou a votar nele foi a convicção de que era diferente da maioria dos políticos que estão no poder e que se iria embora se existissem motivos suficientemente válidos. Enganei-me redondamente. A realidade (e não boatos ou ideias pré-concebidas ou qualquer outra coisa) fez-me, penosamente, mudar de ideias. Pergunto-me o que leva alguém honesto e honrado a aguentar no seu lugar depois de se ter instalado um caos que ninguém é capaz de controlar e que, todos o sabem, vai mais cedo ou mais tarde desenbocar em eleições? Que força de atracção assim tão grande, que imã, faz com que o lugar não seja imediatamente posto à disposição? Compromissos partidários (leia-se, PSD e Marques Mendes)? Interesses pessoais? Se a vontade é não abandonar o barco - o que é sempre um motivo válido e nobre - recandidate-se o homem, mas manter isto neste estado dizendo que existem condições para continuar como se não tivesse existido quaisquer tumultos, é demais.
Para compor o ramalhete, só faltava o perdedor profissional, João Soares, a acenar com a "disponibilidade para encarar a ideia de se candidatar à presidência da câmara". Quando cheira a carne putrefacta, há sempre uns bichos que chegam primeiro.
Veremos como tudo isto termina. Oxalá seja muito em breve. Carmona não votarei.