A notícia da introdução de portagens em algumas das actuais SCUTS é bem clarificadora da forma como este Governo actua: na senda de várias medidas tomadas no âmbito do Orçamento de Estado para 2007, também lá aparece esta. Esquece-se o Governo de, mais clara ou mais disfarçadamente, vir fazer um mea culpa pelo incumprimento de uma das suas promessas eleitorais mais emblemáticas.
É a todos nós que o Governo deve pedir desculpas e não apenas às populações que serão directamente afectadas. É a todos nós, porque a democracia não pode ser baseada em mentiras (pelo menos em mentiras descaradas, porque, como todos sabemos, sempre se deturparam factos, sobretudo em alturas de campanha eleitoral, sendo isso uma regra aceite). Isto que acaba de acontecer é a prova de que as pessoas que compõem o actual Governo – e sobretudo o Primeiro Ministro – mentiram ao País. Os dados relativos à evolução económica das populações beneficiárias das SCTU’s são, como é bom de ver no Abrupto, idênticos aos existentes na altura da campanha eleitoral para as últimas legislativas (para não dizer que são idênticos há mais tempo).
Tem, por isso, razão o ex-Primeiro Ministro Santana Lopes (goste-se ou não, o que para o caso é absolutamente indiferente) ao vir confrontar o Governo, dizendo que o Eng.º Sócrates fez “batota política” (sic).
Pois eu, que nunca fui a favor das SCUT’s, acho que tem toda a razão. É vergonhoso o descaramento e despudor com que se toma uma medida destas sem dar explicações. Mas, verdade seja dita, qualquer um podia realmente antecipar que o mal não é a medida agora tomada com o Orçamento de 2007, mas sim o descaramento de se ter dito que se iria manter a gratuitidade daquelas vias, com um mero intuito eleitoralista, quiçá até com a consciência de que se daria o dito por não dito alguns meses mais tarde. Ora a isto não se chama “batota política”. Chama-se desonestidade pura e dura.