Não nos faltava mais nada do que um PR que parece uma barata tonta no meio deste lodo em que nos encontramos, no meio de um governo que não é governo e no meio de uma oposição que não se percebe o que quer (por causa do pecado original de ter sido ela própria enquanto governo a embarcar no auxílio externo).
Este PR conseguiu ridicularizar e descredibilizar um dos poucos órgãos do Estado que não vi serem questionados ao longo dos anos. Parece pouco e que o Conselho de Estado não serve para muito, mas acho que não é bem assim. Um espaço no qual várias personalidades com funções de estado relevantes, de diferentes quadrantes e sensibilidades políticas podem reflectir em conjunto, um espaço afastado dos soundbytes diários em que os membros podem encontrar algum recolhimento - e, desse modo, podem sentir-se livres para dizer o que pensam sem juízos terceiros - tudo isto é necessário ao nosso sistema tal como foi inicialmente pensado e tudo isto foi, quiçá definitivamente, arrasado. Começou com o comentarista Marques Mendes a anunciar (de encomenda?...) a reunião e acabou no comunicado oficial que traduziu o mal-estar mais do que evidente entre os conselheiros. E não necessariamente entre apenas os conselheiros de cores partidárias diferentes.
Cavaco tem tido o condão de demonstrar à saciedade o que hesitei durante muito tempo em considerar ser (no seu caso) o próprio princípio de Peter. Mas com uma variante. Não é bem não estar à altura do cargo. Afinal tem experiência política suficiente. O que sucede é que a mesquinhez que sempre pautou as suas actuações - mesmo que sempre disfarçada de elevação e sentido de Estado - é neste momento trágica para o país e não se coaduna com a função que exerce.
Agora percebe-se melhor do que nunca a importância do PR no nosso sistema. Sem ele ficamos um pouco órfãos. De resto, já estamos.