22.5.13

Deamblogações matinais



Não nos faltava mais nada do que um PR que parece uma barata tonta no meio deste lodo em que nos encontramos, no meio de um governo que não é governo e no meio de uma oposição que não se percebe o que quer (por causa do pecado original de ter sido ela própria enquanto governo a embarcar no auxílio externo).
Este PR conseguiu ridicularizar e descredibilizar um dos poucos órgãos do Estado que não vi serem questionados ao longo dos anos. Parece pouco e que o Conselho de Estado não serve para muito, mas acho que não é bem assim. Um espaço no qual várias personalidades com funções de estado relevantes, de diferentes quadrantes e sensibilidades políticas podem reflectir em conjunto, um espaço afastado dos soundbytes diários em que os membros podem encontrar algum recolhimento - e, desse modo, podem sentir-se livres para dizer o que pensam sem juízos terceiros - tudo isto é necessário ao nosso sistema tal como foi inicialmente pensado e tudo isto foi, quiçá definitivamente, arrasado. Começou com o comentarista Marques Mendes a anunciar (de encomenda?...) a reunião e acabou no comunicado oficial que traduziu o mal-estar mais do que evidente entre os conselheiros. E não necessariamente entre apenas os conselheiros de cores partidárias diferentes.
Cavaco tem tido o condão de demonstrar à saciedade o que hesitei durante muito tempo em considerar ser (no seu caso) o próprio princípio de Peter. Mas com uma variante. Não é bem não estar à altura do cargo. Afinal tem experiência política suficiente. O que sucede é que a mesquinhez que sempre pautou as suas actuações - mesmo que sempre disfarçada de elevação e sentido de Estado - é neste momento trágica para o país e não se coaduna com a função que exerce.
Agora percebe-se melhor do que nunca a importância do PR no nosso sistema. Sem ele ficamos um pouco órfãos. De resto, já estamos.