No Público de ontem, mais uma reportagem sobre a crise, desta feita, sobre jovens desempregados que perderam os empregos e que não têm a expectativa de voltar a ganhá-los tão cedo. Embora seja penoso e de algum modo destruidor da esperança no país e na nossa vida colectiva, sinto como que uma obrigação em ler estas notícias, não apenas para me aperceber o melhor possível do que se passa, mas para agradecer ao divino a incomensurável sorte que tenho por trabalhar e conseguir mais do que sustentar-me.
Já li, pois, inúmeros "relatos da crise", mas estas linhas vêm a propósito de algo que me perturbou particularmente no que li ontem, tendo chegado mesmo a sentir quase um murro no estômago de tão forte que foi a afirmação. Uma desempregada com cerca de 30 anos de idade e duas filhas que dizia que, muitas vezes a seguir a ir pôr as crianças à escola, voltava para a cama para poder dormir mais, porque ao menos enquanto dorme sofre menos.
Nunca me tinha sequer lembrado que isto podia ser encarado como opção. Mas infelizmente é e é uma desgraça absoluta.